Jaques Wagner encara paralisação em fábrica de Camaçari (Bahia), que já dura 47 dias e supera em quase uma semana a greve do ABC, em 1980, liderada por outro petista: Lula

A greve na fábrica de pneus Bridgestone no Polo de Camaçari, região metropolitana de Salvador, já dura 47 dias e bateu em quase uma semana a paralisação histórica no ABC paulista, em 1980, comandada pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. Mais de 30 anos depois, quem enfrenta a mais longa greve da história da indústria brasileira é outro petista: o governador da Bahia, Jaques Wagner. Não bastasse isso, Camaçari também é o berço político de Wagner, que construiu a sua trajetória no movimento sindical do Polo Petroquímico e perdeu a disputa pela prefeitura de Camaçari, em 2000.

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Jaques Wagner enfrenta a mais longa greve da história da indústria brasileira em Camaçari (BA)
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Jaques Wagner enfrenta a mais longa greve da história da indústria brasileira em Camaçari (BA)

O governador petista, que já presidiu Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica) nos anos 80 e liderou uma paralisação na região, foi chamado para pôr fim ao impasse entre os grevistas e a Bridgestone. Wagner então se reuniu com a diretoria do Sindborracha, no último dia 7. "Chamamos o governador para auxiliar a intermediar a greve, mas a Bridgestone se mostrou intransigente, não quis negociar", afirmou Bartolomeu. Nesse encontro estavam membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente alinhada com o PT.

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Apesar do pedido do Sindborracha, Wagner ainda não se envolveu diretamente nas negociações para acabar com a paralisação. A unidade de Camaçari foi inaugurada em 2007, no primeiro ano de seu governo em troca de incentivos fiscais. A seus assessores, Wagner já disse que a solução pode estar distante. Ele também declarou que espera que as duas partes cedam nas exigências. "Um acordo bom é o que agrada a todos", afirmou o governador que, neste ano, já sofreu outro desgaste ao enfrentar a greve de 115 dias dos professores da rede estadual.

Na fábrica da Bridgestone trabalham 630 pessoas. O Sindborracha estima que cerca de 90% aderiram à paralisação. Os grevistas pleiteiam 8% de reajuste salarial e outros direitos como uma hora de refeição e a acréscimo de 40% para a jornada noturna. Além disso, querem participação nos resultados de R$ 10 mil. "Não comemoramos o fato de essa ser a greve mais longa da história. Comemoramos, sim, a unidade do trabalhador nessa luta", disse o presidente do sindicato, Clodoaldo Bartolomeu. Ele afirma que a empresa ofereceu reajuste de 8% e participação nos resultados de R$ 8 mil, o que é confirmado pela direção da fábrica.

A Bridgestone, por sua vez, declara que, desde fevereiro, tem negociado com o sindicato para a elaboração de um acordo coletivo neste ano e se reuniu nesta quarta-feira com o governador. Assim como o sindicato, pediu para Wagner entrar em campo. O petista respondeu que vai auxiliar nas conversas, mas não será o mediador das negociações. Na avaliação da empresa, a sua proposta representa maior poder aquisitivo ao trabalhador do que o acordo do sindicato. A fábrica ainda informa que 37% do efetivo já começou a trabalhar, e que a metade da totalidade dos funcionários endossou um abaixo-assinado com a pauta da empresa.

Greve de 1980

A greve de 1980, liderada por Lula, no ABC paulista foi a mais longa que as duas anteriores na região: as de 1978 e 1979. Além da exigência de reajuste salarial, redução da jornada de trabalho e estabilidade no emprego, os trabalhadores também queriam o fim da ditadura militar. Além de operários, estudante e demais segmentos da sociedade aderiram à paralisação. O movimento projetou o então líder sindical e resultou na criação do PT no mesmo ano.

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