Ex-ministro e ex-deputado admitem caixa 2, mas negam compra de apoio político

Advogados de João Magno e Anderson Adauto atacaram denúncia do Ministério Público e até a imprensa; telefonema para Delúbio fez de ex-ministro dos Transportes réu, diz defesa

iG São Paulo | - Atualizada às

Dois últimos réus a serem defendidos por seus advogados na sessão do julgamento do mensalão desta terça-feira (14), o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e o ex-deputado federal pelo PT João Magno rechaçaram, por meio de suas defesas, a tese de que praticaram os crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, mas admitiram o caixa 2 eleitoral. 

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A defesa do ex-parlamentar petista contou com as sustentações orais de dois advogados, Sebastião Tadeu Ferreira Reis e Wellington Alves Valente, que foram à tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF) para negar que seu cliente tivesse conhecimento da origem ilícita dos recursos que recebeu (segundo a Procuradoria Geral da República, foram R$ 350 mil do grupo do publicitário Marcos Valério).

Divulgação/STF
O advogado do ex-ministro Anderson Adauto, Roberto Garcia Lopes Pagliuso, disse que seu cliente não tinha qualquer influência sobre Roberto Jefferson

“Não havia absolutamente nada de estranho ou errado que fizesse com que ele pudesse desconfiar da origem do dinheiro”, afirmou Ferreira Reis. O advogado criticou “o pensamento mágico do acusador, que acredita em realidades inexistentes por meio da força do populismo midiático". 

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Os advogados de João Magno não economizaram nos ataques ao que chamaram de “grande imprensa”, supostamente favorável à condenação dos réus do mensalão. “O julgamento da ação penal 470 não pode ser uma resposta ao sentimento popular por um estado brasileiro com menos corrupção. Esperemos que seja um exercício ponderado de democracia para todas as partes envolvidas e que ninguém possa dizer que o estado de direito e suas regras foram violadas ou mal interpretadas.” Segundo Ferreira Reis, os membros da “grande imprensa” “fazem tramoias, vendem matérias e se metem em conluios.”

A defesa do ex-deputado do PT foi mais uma a admitir o uso de caixa 2 eleitoral e criticou duramente a acusação do Ministério Público. “A peça de acusação é pífia. Não merece sequer ser considerada. Interessante que há clamor realmente para se condenar. Mas condenar sem prova? Não acredito que este tribunal tenha essa atitude”, disse Alves Valente.

Ex-ministro

Para fechar as cinco sustentações orais deste 9º dia de julgamento, o advogado Roberto Garcia Lopes Pagliuso defendeu o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e rechaçou qualquer envolvimento de seu cliente com o presidente nacional do PTB e delator do mensalão, Roberto Jefferson. Segundo Pagliuso, não houve compra de apoio político do PTB pelo PT, já que os dois partidos tinham uma relação “estável”, mas apenas transferências de recursos destinados a gastos com campanhas eleitorais. 

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“Era uma relação contínua e estável e não houve nenhuma intervenção de Anderson Adauto, que não transitava na cúpula desses partidos. Ele se filiou ao PL acompanhando o então vice-presidente José Alencar, que foi quem o indicou para o ministério”, afirmou o advogado.

Pagliuso confirmou que houve um telefonema de Adauto para o então tesoureiro do PT Delúbio Soares, que “se prontificou a auxiliá-lo para honrar essas dívidas [eleitorais]”. De acordo com a denúncia da Procuradoria, Adauto teria sido intermediário da compra de apoio do PTB e recebido R$ 1 milhão do grupo de Valério.

“Este telefonema foi eleito pelo Ministério Público como a circunstância de corrupção ativa. Um único telefonema. Anderson Adauto não foi responsável por pegar o recurso e entregar, não participou de nenhuma tratativa para discutir valores, não teve qualquer relação... Simplesmente efetuou um telefonema para Delúbio Soares, e isso lhe custou a condição de réu”, disse o defensor. “Uma única conversa jamais pode configurar o crime de corrupção ativa. O Ministério Público conseguiu produzir apenas essa única conduta. E não é possível admitir que essa denúncia seja procedente.”

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