Advogado diz que ex-deputado petista usou dinheiro para pagar caixa 2

Defesa de Paulo Rocha afirmou ao STF que cliente recebeu R$ 620 mil para pagar dívidas de campanha no Pará, mas não sabia que o dinheiro tinha origem ilícita

iG São Paulo |

O advogado do ex-deputado petista Paulo Rocha afirmou nesta terça-feira no julgamento do mensalão no STF que seu cliente recebeu R$ 620 mil do PT para pagar caixa 2 de campanhas eleitorais no Pará. Ele negou que o cliente tivesse conhecimento de que o dinheiro teria origem ilícita e afirmou que, na reunião no apartamento de Rocha em que foi fechado um acordo entre o PT e o PL (hoje PR) para as eleições de 2002, ele não realizou negociação financeira, tendo apenas tomado uma cachaça com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Divulgação STF
Paulo Rocha, ex-deputado, recebeu R$ 620 mil do PT para pagar caixa 2 de campanhas, diz advogado

“Não vamos cometer a pouca urbanidade de entender que uma reunião de coligação política no apartamento funcional de Paulo Rocha com o presidente da República desse para o Paulo o conhecimento disso tudo. A participação do Paulo foi de ficar ao lado do presidente, eles só tomaram uma cachacinha bem pequenininha que o Paulo tinha lá", afirmou o advogado.

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Segundo a denúncia do Ministério Público, o então parlamentar e presidente do PT-PA recebeu valores ilícitos das empresas de Marcos Valério, por meio de sua secretária, Anita Leocádia, que também é ré no processo.

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Segundo Gomes Filho, a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 gerou débitos para o PT-PA, que era então presidido por Paulo Rocha. Sem ter como pagar, ele pediu auxílio ao tesoureiro nacional do partido, Delúbio Soares, que contraiu empréstimos bancários para saldar os compromissos. “Na cadeia causal, ele [Paulo Rocha] é um irrelevante. O dinheiro já chegou limpo no diretório do PT-PA. Foi essa a sistemática”.

Com a anuência de Delúbio, ele indicou a sua secretária no PT paraense Anita Leocádia para receber os recursos e fazer os pagamentos de dívidas de campanha. Para a defesa, o fato de ter mandado a secretária fazer os saques mostraria que ele não desconfiava da origem do dinheiro. Ressalta ser um erro do Ministério Público misturar "caixa 2" com lavagem de dinheiro, acusação que é atribuída a Paulo Rocha. “Que homem público desse país não teve verba de campanha que não contabilizou? Pagou a conta, se houve justiça social aqui foi nesse pagamento. E não é atrevido de minha parte falar isso”.

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E continuou: “É uma prática recorrente o uso de caixa dois, é duro falar isso, ainda mais no Supremo Tribunal Federal, mas me parece que isso existe, todos sabem. Fico tranquilo de ter aqui a ministra Carmem Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela sabe a quantidade de matérias dessas que chegam diariamente, é uma realidade. Nós tangenciamos essa realidade para discutir lavagem e abandonar a discussão do que seria dinheiro não contabilizado", disse o defensor.

Para o advogado, seria "estúpido" lavar dinheiro com saques identificados na boca do caixa. "Sem ter uma mente perversa, consigo pensar em 50 meios menos tolos de fazer uma lavagem. Seria como fabricar notas de R$ 90,00", afirmou. Disse ainda que outro saque, de R$ 200 mil, feito por outro funcionário, serviu para repassar recursos para o PSB do Pará, coligado ao PT nas eleições de 2002.

Com Agências Brasil e Estado

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