Relatos de tortura de Dilma Rousseff despertam memórias da ditadura

Presidenta, que instalou a Comissão da Verdade, teve passado doloroso, mas evita se colocar no papel de vítima e raramente fala sobre o assunto

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Dilma Rousseff, aos 22 anos, é interrogada

Seu nome de guerra era Estela. Ela fazia parte de um grupo guerrilheiro urbano quando foi capturada em 1970 e passou três anos atrás das grades, onde seus interrogadores a torturaram com choques elétricos e a deixaram no "pau de arara", uma posição na qual as vítimas são suspensas de cabeça para baixo nuas, apoiadas apenas por um pedaço de pau, com os pulsos e tornozelos amarrados.

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Essa ex-guerrilheira hoje é a presidenta do Brasil Dilma Rousseff .

À medida que a Comissão da Verdade começa a examinar a repressão militar que afetou a população durante uma ditadura que durou duas décadas, os brasileiros estão fascinados com os detalhes arrepiantes que estão surgindo a respeito dos passados dolorosos tanto de seu País quanto de sua presidenta.

As divisões daquela era, que se estendeu de 1964 até 1985, ainda existem na cidade do Rio de Janeiro. Oficiais militares, incluindo Mauricio Lopes Lima, 76, um antigo tenente-coronel acusado de torturar Dilma, questionam as evidências que ligam os militares aos abusos. Grupos de direitos humanos, no entanto, estão perseguindo Lopes Lima e outros acusados de tortura.

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Embora uma anistia de 1979 ainda proteja oficiais militares de serem julgados por abusos, a comissão, que começou em maio e tem um mandato de dois anos, vem desenterrando fantasmas. A ditadura matou cerca de 400 pessoas e acredita-se que as vítimas de tortura tenham sido milhares.

A tortura sofrida por Dilma, que tinha 22 anos e hoje tem 64, está entre as mais proeminentes das centenas de casos que a comissão está examinando.

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A presidenta não é a única líder política da América Latina em ter subido ao poder depois de ter sido presa e torturada, um sinal dos passados tumultuosos de outros países latino-americanos.

Desde que Dilma tomou posse , ela se recusou a se posicionar no papel de vítima enquanto sutilmente pressionou por mais transparência em relação aos anos da ditadura militar no Brasil.

Ela raramente se refere em público à crueldade que chegou a enfrentar e com exceção a algumas aparições cerimoniais, ela raramente falou sobre a comissão da verdade. Ela se recusou por meio de uma porta-voz de comentar sobre a comissão ou sobre o tempo que passou na prisão.

A busca pelo conhecimento do passado fez com que as autoridades estaduais pagassem indenizações para cerca de 900 torturados no Estado do Rio de Janeiro durante a ditadura. Entre eles está Dilma, que disse em maio que doaria o cheque ao grupo Tortura Nunca Mais, que busca aumentar a conscientização sobre os abusos dos militares.

Agência Estado
Dilma Rousseff se emocionou em cerimônia que instalou a Comissão da Verdade

Por Simon Romero

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