Defesa diz que ex-assessor agia a mando do PP e admite elo com Valério

Genu era um "mero assessor parlamentar", "um mensageiro", "um grão em terreno arenoso", disse o advogado no STF, que admitiu saques com intermediários do publicitário

iG São Paulo | - Atualizada às

O advogado Maurício Maranhão de Oliveira, que defende o ex-assessor do PP João Cláudio Genu, disse nesta quinta-feira no julgamento do mensalão no STF que o seu cliente desconhecia a origem e o destino ilícito do dinheiro que passava por ele. Genu é acusado de distribuir o dinheiro do mensalão para a cúpula de seu partido. “Ficou provado nos autos que ele era um mero assessor parlamentar que atuou como mensageiro do PP nas idas ao Banco Rural. (...) Ele não passa de grão em terreno arenoso descrito pelo PGR [Procuradoria-Geral da República]”, disse Oliveira.

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Divulgação STF
Advogado de ex-assessor do PP diz que cliente agia a mando do partido

O advogado admitiu que Genu sacou dinheiro com intermediários do publicitário Marcos Valério, três vezes, a mando da cúpula do PP – duas diretamente no Banco Rural e uma em um hotel de Brasília. Oliveira disse que Genu era recém-contratado e nunca teve relação profissional com os integrantes do partido, desmentindo a tese de que seu cliente era “homem de confiança” do PP.

Para o advogado, o Ministério Público Federal só incluiu Genu no crime de formação de quadrilha para atingir os parlamentares da cúpula da legenda que figuram como réus no processo do mensalão – José Janene, Pedro Corrêa e Pedro  Henry. As defesas destes dois últimos negaram o mensalão e disseram que os dois só foram incluídos na denúncia pelos cargos que ocupavam no partido. 

Oliveira leu trechos de depoimentos de testemunhas e de réus do processo – como o próprio Janene, que morreu em 2010 – para reforçar que Genu desconhecia qualquer esquema criminoso. A acusação de corrupção foi rebatida com o argumento de que Genu não tinha qualquer vantagem para oferecer no esquema do mensalão, uma vez que não era parlamentar e não poderia dar apoio político. O advogado também disse que não há qualquer prova de que Genu tenha recebido verbas do esquema, pois a evolução patrimonial de seu cliente condiz com os rendimentos.

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O crime de lavagem de dinheiro também foi negado sob a justificativa de que Genu nunca escondeu que sacava o dinheiro para o PP. Oliveira ainda classificou de imprecisa a denúncia do procurador-geral, Roberto Gurgel, no que diz respeito aos valores dos saques de Genu e quando eles ocorreram.

Enivaldo Quadrado

A defesa do sócio da corretora Bonus-Banval, Enivaldo Quadrado, contestou as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, feitas pelo Ministério Público Federal. Quadrado é acusado de lavar dinheiro do mensalão para distribuir a políticos do PP. "É fácil lavar dinheiro em corretora de valores? É o lugar exato que nós vamos escolher para lavar dinheiro?", questionou o advogado Antônio Sérgio Pitombo.

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Ele afirmou que uma corretora é fiscalizada pelo Banco do Brasil, pela Bolsa de Valores e por outros órgãos de controle. “Estão o tempo todo sob a lupa da administração pública."

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