Advogados de ex-deputados do PP têm mesma linha de defesa e negam mensalão

Defensores de Pedro Corrêa e Pedro Henry criticam Procuradoria-Geral da República e alegam que clientes foram denunciados por seus cargos na legenda

iG São Paulo | - Atualizada às

Os advogados do ex-presidente do PP Pedro Corrêa e do ex-líder da bancada da legenda Pedro Henry sustentaram suas defesas de forma muito similar no julgamento do mensalão nesta quinta-feira no STF. As falas foram tão parecidas que o advogado de Henry, José Antonio Duarte Álvares, após a exposição de seu colega Marcelo Leal, disse que bastava "trocar o nome do réu". Os dois afirmaram que seus clientes só foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República por conta de suas posições de liderança no partido e negaram a existência do mensalão.

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Agência STF
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"O Ministério Público, utilizando um espelho côncavo, mostrou um objeto distorcido. Sete anos se passaram e muito se falou. Aquele ponto negro se tornou um escândalo chamado mensalão. Hoje a defesa tem a oportunidade de mudar o espelho e mostrar o objeto com toda a clareza. E se chega à luz. Todos os recursos repassados pela (corretora) Bônus Banval diziam respeito a campanhas políticas e não à compra de votos no Congresso Nacional", afirma Marcelo Leal, advogado de Corrêa.

Pedro Corrêa é acusado de ter sido beneficiado com recursos do PT em troca de apoio político ao governo e foi denunciado pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. De acordo com a acusação, o núcleo do PP que participava do esquema usava a corretora Bônus Banval para receber o dinheiro dos repasses de Marcos Valério - o chamado "valerioduto". Henry também foi denunciado por ter, supostamente, recebido os recursos do esquema. Segundo a Procuradoria, entre os anos de 2003 e 2004, José Janene (já falecido), Pedro Corrêa e Pedro Henry, auxiliados pelo assessor João Cláudio Genú, receberam R$ 2,9 milhões para votar a favor de matérias de interesse do governo federal.

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Agência STF
Advogado de Pedro Henry, Marcelo Leal, diz que sua defesa é parecida com a do colega que o antecedeu

Para derrubar a tese do mensalão, Marcelo Leal citou trechos de depoimentos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, e da atual presidenta, Dilma Rousseff. Segundo o advogado, FHC afirmara que o PP "em geral apoiou" as propostas de reforma tributária e da previdência, apontadas pela acusação como exemplos de votação no Congresso Nacional, cuja maioria teria sido conquistada pelo esquema. "Teria o PT motivos para pagar o PP? O PP sempre teve a marca de ser um partido reformista. Durante o governo FHC, o PP votou a favor das revormas previdenciária e tributária."

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Ele também mostrou estudo já apresentado anteriormente por defesas de outros réus que atesta que não existiria conexão entre a liberação de recursos aos parlamentares de partidos da base aliada e as votações no Congresso.

A posição do PP em relação às votações das reformas também foram lembradas por Duarte Álvares. O defensor de Henry foi duro nas críticas contra a acusação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. "As provas devem ser analisadas quando colhidas sob o crivo do contraditório. Ainda mais, mesmo quando fazia esses pinçamentos de forma equivocada, o procurador-geral da República o fazia de maneira parcial, sem a necessária lealdade", disse acescentando que a redação da acusação é "fantasiosa".

O defensor de Pedro Henry negou que seu cliente tivesse recebido qualquer vantagem e que formava uma "cúpula" ao lado de José Janene - também denunciado pela Procuradoria e morto em 2010 - e de Pedro Corrêa. "Ele não detinha qualquer influência na parte administrativo-financeira do PP, que ficava a cargo de seu tesoureiro. Os acordos financeiros entre os partidos não passavam pelo crivo do líder da bancada. Não restou demonstrado o que a acusação pleiteava", afirmou. "O crime do Pedro Henry foi de se destacar. Com isso, talvez tenha comprado inimizades daqueles que quisessem aparecer mais."

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