Thomaz Bastos diz que acusação é ‘construção mental’ do Ministério Público

Advogado de ex-vice-presidente do Banco Rural negou que os empréstimos a Marcos Valério fossem ‘fictícios’ para levantar recursos do mensalão

iG São Paulo | - Atualizada às

Marcio Thomaz Bastos, advogado do ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado, afirmou nesta quarta-feira durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que seu cliente é inocente, que os empréstimos concedidos ao publicitário Marcos Valério eram legais, e não “fictícios” para levantar recursos do mensalão, e que a acusação da Procuradoria é uma “criação mental do Ministério Público”.

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Thomaz Bastos diz que ex-vice-presidente do Banco Rural é inocente e nega que empréstimos eram 'fictícios'

Bastos, que usou 50 minutos em sua sustentação oral, disse ainda que Salgado não teve responsabilidade sobre os empréstimos a Valério porque teria apenas renegociado os valores. O advogado informou que as dívidas do empresário ainda não foram pagas porque as agências de publicidade Valério – acusado de ser o operador do mensalão – faliram assim que o caso veio à tona. A dívida de R$ 10 milhões do PT, segundo Thomaz Bastos, foi quitada, enquanto as dívidas de Valério estão sendo executadas na Justiça.

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O advogado também desqualificou o depoimento do ex-superintendente do Banco Rural Pedro Godinho, classificado por ele como uma testemunha “suplente, ressentida, que prestou falso testemunho”. O depoimento de Godinho é uma das principais provas usadas pelo Ministério Público para implicar Salgado no mensalão. Bastos diz que a Procuradoria, em sua acusação, não foi clara sobre o que de fato seu cliente fazia no mensalão.

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Salgado é acusado de participar do chamado núcleo financeiro do mensalão, viabilizando empréstimos fraudulentos para esconder a origem e o destino ilícito do dinheiro, o que Thomaz Bastos rebate. Salgado responde pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas.

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Thomaz Bastos disse hoje que, após a liquidação da instituição financeira em 2012, o banco recebeu a quantia de R$ 96 milhões. A acusação afirma que o Banco recebeu R$ 1 bilhão depois da liquidação. “Dar R$ 32 milhões [de empréstimos] para receber R$ 1 bilhão é um bom negócio, mas só na loteria esportiva”, ironizou o advogado. Thomaz Bastos disse que os 65 saques em espécie nas agências do Banco Rural – o que, segundo a denúncia, abastecia o esquema do mensalão – seguiram as normas do Banco Central vigentes à época.

Com Agência Brasil

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