Andressa Mendonça e ex-agente da Polícia Federal, convocados para comparecer à sessão desta terça, recusaram também prestar esclarecimentos em sessão secreta

Andressa Mendonça, mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira , permaneceu em silêncio durante sua convocação para depôr na CPI nesta terça-feira, durante o primeiro dia da retomada das investigações após o recesso parlamentar. A comissão a convocou na condição de investigada, e não de testemunha.

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Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, comparece à sessão da CPI
Agência Câmara
Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, comparece à sessão da CPI

O presidente da CPI, Vital do Rego (PMDB-PA), questionou Andressa se ela aceitaria depôr à comissão caso a reunião fosse transformada em uma sessão de caráter secreto, sem a presença da imprensa.  "Vou exercer meu direito constitucional de permanecer em silêncio", respondeu novamente Andressa. 

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Andressa é suspeita de atuar como laranja no esquema do marido. Além disso, ela deveria ser questionada sobre a mais recente polêmica na qual se envolveu: a acusação de tentativa de chantagear um juiz federal de Goiás, em troca da soltura de Cachoeira . O contraventor é alvo de um processo, em referência à Operação Monte Carlo da PF, no qual é acusado de operar um esquema de jogos ilegais. Ele está preso desde o dia 29 de fevereiro.

Segundo o juiz Alderico Rocha Santos, Andressa ameaçou divulgar um dossiê contra ele, supostamente preparado pelo jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja , se ele não libertasse Cachoeira. A publicação nega. Andressa teve que pagar R$ 100 mil de fiança por conta da ameaça ao magistrado.  Segundo a senadora Kátia Abreu, o suposto dossiê continha ameaças a ela . Andressa se recusou, entretanto, de tecer explicações sobre as ameaças à parlamentar.

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Além de Andressa, o agente aposentado da Polícia Federal (PF) Joaquim Gomes Thomé Neto, suspeito de fazer interceptação ilegal de e-mails para Cachoeira, compareceu à reunião da CPI. Porém, ele estava munido de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF)  e também ficou em silêncio.

A ele também foi oferecida a oportunidade de cooperar com a comissão em sessão secreta, que foi recusada prontamente. "Eu não tenho nada para colaborar, não conheço de nada. Acho que foi por isso que o Supremo me deu essa prerrogativa", afirmou.

'Chantagem'

Na sessão, que durou por volta de uma hora, o assunto dominante foi o suposto dossiê que Andressa teria usado para ameaçar o juiz federal.

Como vem fazendo desde o início das investigações no Congresso, o senador Fernando Collor (PTB-AL) criticou o procurador-geral da República Roberto Gurgel que, segundo ele, "durante dois anos chantageou um senador da República que recentemente perdeu seu mandato", em referência clara a Demóstenes Torres.

O senador fez também uma “solicitação expressa” para que sejam convocados o Gurgel e Roberto Civita, presidente do Conselho da Editora Abril, “porque aí está o coração de toda essa grande contravenção”, afirmou, em referência ao suposto dossiê produzido pela Veja .

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