Advogado nega compra de votos e diz que não há provas contra Dirceu

Aos ministros do STF, José Luís de Oliveira Lima desqualificou as denúncias de Roberto Jefferson, que delatou o mensalão à época, e disse que seu cliente não é 'quadrilheiro'

iG São Paulo | - Atualizada às

O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, negou nesta segunda-feira (6) a existência da compra de votos, desqualificou as denúncias do ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e afirmou que o pedido de condenação de Dirceu nos autos é o mais “atrevido e escandaloso ataque à Constituição Federal." A frase faz uma alusão às afirmações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que classificou o mensalão como o esquema mais “atrevido” da República em sua acusação apresentada na última sexta-feira.

Leia mais:  José Dirceu acompanhará sua defesa do caso mensalão pela TV

Acusação: Gurgel mira Dirceu e chama mensalão de ‘esquema atrevido de corrupção’

Protestos no 2º dia: Manifestantes colocam réus 'atrás das grades'

1º dia: Atraso no julgamento do mensalão aumenta chance de impunidade dos réus

AE
Advogado de Dirceu disse que seu cliente não é quadrilheiro nem chefe de organização criminosa

Oliveira usou menos de uma hora – tempo limite no STF para cada advogado dos 38 réus – na defesa de Dirceu. Disse que vai pedir a absolvição do ex-ministro com base exclusivamente nos autos: "Vou rebater linha por linha, ponto a ponto da acusação". Para o advogado, o Ministério Público apresenta "frases de efeito", mas não há provas de que houve o mensalão. "Não é verdade que existiu a propalada compra de votos", afirmou.

As defesas:  Advogados falam em novas manobras jurídicas contra julgamento

Réus do mensalão: Quem são os 38 acusados e a que crime respondem

Acompanhe todas as notícias sobre o julgamento do mensalão

O advogado afirmou que seu nervosismo em subir à tribuna para a defesa do réu diminui na medida em que sabe que os ministros julgarão o mensalão tecnicamente. "O processo não tem capa, não tem cor, não tem raça, não tem partido político. O processo tem ou não tem provas (...) Não há nenhuma prova, nenhuma circunstância que incrimine meu cliente, José Dirceu", disse.

Defesa de Dirceu:  Jefferson inventou mensalão para fugir de denúncia


Oliveira Lima disse que seu cliente jamais beneficiou qualquer instituição financeira durante sua gestão a frente do ministério da Casa Civil e negou a existência do mensalão, a compra de votos de parlamentares em troca de apoio para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso Nacional. "Não seria razoável que tivessem procurado alguém da oposição e também oferecessem importância para votar com o governo?", questiona o advogado, acrescentando que, no período em que houve os saques, o PT perdeu as votações.

STF:  Destempero de Barbosa vira arma da defesa dos réus do mensalão

A defesa lembrou ainda que Dirceu teve sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados e "ainda não se provou qualquer relação dele com Marcos Valério". "Meu cliente não é quadrilheiro, não é chefe de organização criminosa. E quem diz isso são os autos", afirmou Oliveira Lima.

O advogado de Dirceu afirma que seu cliente não estava envolvido com as atividades do PT, segundo teriam afirmado as testemunhas da ação e, por isso, ele não tinha conhecimento das atividades do então secretário de finanças do PT, Delúbio Soares. "As testemunhas falam exatamente o contrário", afirmou o advogado.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG