PT quer tirar ex-relator da CPI dos Correios da vice-liderança do governo

Em represália às declarações do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sobre o mensalão, integrantes do partido da presidenta Dilma Rousseff defendem a substituição do vice-líder

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O PT quer tirar o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) da vice-liderança do governo na Câmara, sob o argumento de que ele agiu contra as ordens da presidenta Dilma Rousseff , que determinou distância do julgamento do mensalão . Causaram mal-estar no Planalto e no partido declarações de Serraglio segundo as quais à época do escândalo, em 2005, petistas agiam como uma "tropa de choque" na CPI dos Correios a fim de impedir investigações contra o então ministro da Casa Civil, José Dirceu.

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Relator da CPI dos Correios, Serraglio fez as críticas em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" publicada no dia 26 de julho. Na última quarta-feira (1º), primeiro dia de trabalho depois das férias parlamentares, os deputados Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto, líderes do governo e do PT na Câmara, respectivamente, procuraram a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para reclamar do aliado.

A conversa foi sobre a substituição do vice-líder. A portas fechadas, no gabinete de Ideli no Palácio do Planalto, o comentário revelava a irritação. A queixa não chegou a Dilma, segundo seus auxiliares, mas o PMDB do vice-presidente Michel Temer foi acionado e enquadrou Serraglio. Líderes peemedebistas telefonaram para o deputado e determinaram que ele pare de falar sobre as investigações do mensalão.

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Ideli teria ficado furiosa com o trecho da entrevista no qual Serraglio vinculou o nome dela à blindagem de José Dirceu, hoje o principal réu do mensalão. "A tropa de choque que dificultava a evolução da investigação era formada por (Carlos Augusto) Abicalil, (Jorge) Bittar e Ideli (Salvatti), que era senadora à época", disse o ex-relator da CPI na entrevista.

Serraglio afirmou que o PT barrava qualquer iniciativa da comissão para proteger Dirceu. "Faltou muita coisa. Muito do que eles ficam batendo agora que "não tá provado isso, não tá provado aquilo’ é porque a gente estava amarrado, não tínhamos liberdade", disse. "Hoje, por exemplo, o Dirceu fala que não tem nada a ver com isso. Poderíamos ter feito provas muito mais contundentes em relação à evidente ascendência que ele tinha."

Apesar da ordem dada por líderes do PMDB para Serraglio seguir a lei do silêncio sobre o mensalão, petistas não acreditam que ele cumprirá a determinação. É com esse argumento que seus desafetos no Congresso tentam tirá-lo da vice-liderança.

A nova queda de braço do PT com o PMDB - em meio ao julgamento do mensalão e a seis meses da troca de comando na Câmara e no Senado - causa preocupação no Planalto.

Para Serraglio, a tese de que o dinheiro dado aos partidos aliados no governo Lula era "só de caixa 2" não inocenta os réus do PT. É, inclusive, confissão de culpa. Ontem, nem ele nem Ideli quiseram comentar o assunto.

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