Protesto em frente ao STF coloca ‘atrás das grades’ os réus do mensalão

Antes do início do segundo dia de julgamento, um grupo de sindicalistas fazia manifestação na Praça dos Três Poderes; desempregado pedalou 40 dias para protestar no Supremo

Ricardo Galhardo - enviado do iG a Brasília | - Atualizada às

No segundo dia de julgamento do mensalão apareceram finalmente os primeiros manifestantes na Praça dos Três Poderes pedindo a condenação dos acusados pelo escândalo.

Um grupo de sindicalistas, alguns deles ligados à Força Sindical, veio de Manaus para se manifestar. Eles montaram uma cela na frente do Supremo Tribunal Federal (STF). Dentro, vestidos com uniformes de presidiários, bonecos de José Dirceu, Marcos Valério, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Duda Mendonça.

Leia mais:  Atraso no julgamento do mensalão aumenta chance de impunidade dos réus

Minuto a minuto: Veja como foi o primeiro dia de julgamento do mensalão

Réus do mensalão: Quem são os 38 acusados e a que crime respondem

Agência Brasil
Em protesto em frente ao STF, grupo de sindicalistas coloca os réus do mensalão 'atrás das grades'

"Esperamos que desta vez seja feita justiça, pois 20 anos atrás houve um escândalo muito parecido, envolvendo alguns dos mesmos personagens em Manaus e não aconteceu nada", disse o líder dos manifestantes, Carlos Lacerda, diretor financeiro da Federação dos Metalúrgicos da Região Norte, filiada à Força Sindical.

Lacerda se referia ao desvio de R$ 20 mil em valores atuais dos cofres do Sindicato dos Metalúrgicos para abastecer campanhas de deputados petistas e do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1989.

Infográfico: Veja como será o julgamento do mensalão no STF

Ricardo Galhardo/iG
"Quem é o palhaço? Todo o povo brasileiro", diz lavrador que protesta no STF

Entre os acusados (posteriormente inocentados) estavam dois réus do mensalão, José Genoino e Paulo Rocha. O autor da denúncia foi o então deputado Roberto Jefferson. O escândalo, um dos primeiros da história do PT, levou à expulsão do partido então deputado Ricardo Moraes. Lula, na época, disse que não sabia de nada.

"É a mesma coisa. A única diferença é que na época o Roberto Jefferson era gordo", disse Lacerda.

Acompanhe todas as notícias sobre o julgamento do mensalão

Questão de ordem: Discurso de Lewandowski no STF vira motivo de piada no Twitter

O lavrador desempregado Nilson Francisdo dos Santos, de 62 anos, pedalou durante 40 dias de Pindamonhangaba (SP) a Brasília para protestar pela condenação dos acusados. Vestido de palhaço, Santos pregou a união dos brasileiros contra a corrupção.

Ricardo Galhardo/iG
Santos vive em uma casa/bicicleta há três meses com a cadela Princesa

"Quem é o palhaço? Todo o povo brasileiro. Este julgamento pode até não dar em nada, mas eu fiz a minha parte. O problema é que o brasileiro é covarde. Se todos se unissem contra a corrupção não teria ladrão no Brasil", disse ele.

Santos vive em uma casa/bicicleta há três meses com a cadela Princesa. Desempregado, ele não consegue se aposentar antes de completar 65 anos por falta de documentos que comprovem suas décadas de trabalho no campo.

Advogado: Dirceu, Delúbio e Genoino se uniram pelo sonho de mudar o Brasil

Leia mais: "Tenho mais coisas para fazer", diz Lula sobre mensalão

"Já plantei muita lavoura, tratei de muito gado, mas não posso me aposentar. Decidi que não quero ser mendigo na cidade. Hoje vivo nas estradas com a Princesa e a ajuda de quem passa. E na estrada vou ficar até conseguir a aposentadoria", disse ele.


    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG