Lewandowski se diz 'horrorizado' com ataques de Joaquim Barbosa no STF

Ministro revisor do processo do mensalão bateu boca com o relator da ação penal durante o primeiro dia do julgamento do caso; Barbosa chegou a dizer que o colega foi 'desleal'

Agência Brasil | - Atualizada às

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O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), está “perplexo, estupefato e horrorizado” com as críticas feitas a ele pelo colega Joaquim Barbosa durante o julgamento do mensalão , na última quinta-feira (2). Segundo a assessoria do revisor do processo, o ministro classifica de “lamentável” a transferência de questões jurídicas para o campo pessoal.

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A discussão entre os ministros começou durante o julgamento do pedido de desmembramento do processo apresentado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos . Ele questionou o fato de todos os réus serem julgados pelo STF, quando apenas três deles têm essa prerrogativa – os deputados federais Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).

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O ministro revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, bateu boca com o relator Joaquim Barbosa no STF

Barbosa votou contra o pedido, lembrando que o tribunal já analisou o assunto várias vezes, mas Lewandowski divergiu do colega. Para o revisor, os argumentos trazidos por Thomaz Bastos eram inéditos e mereciam análise mais detida da Corte. Foi aí que começou uma discussão acalorada entre os ministros.

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Barbosa disse que Lewandowski foi “desleal” por não ter abordado a questão anteriormente, provocando indignação no colega. “Vamos manter o debate a nível civilizado. Vossa excelência se atenha aos fatos e não à minha pessoa”, rebateu Lewandowski. A discussão só parou com a intervenção do presidente Carlos Ayres Britto, mas os ânimos continuaram acirrados.

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Segundo a assessoria de Lewandowski, “todo o País viu que foram os advogados que levantaram a questão de ordem”, e que o ministro se limitou a analisar a questão do ponto de vista jurídico, o que não justificava o “ataque pessoal indevido” de Barbosa.

O ministro Joaquim Barbosa, por sua vez, respondeu os comentários do colega por meio de nota, encaminhada por sua assessoria. "Não fiz ataques pessoais. Apenas externei minha perplexidade com o comportamento do revisor, que após manifestar-se três vezes contra o desmembramento, mudou subitamente de posição, justamente na hora do julgamento, surpreendendo a todos, quase criando um impasse que desmoralizaria o tribunal. Note-se: a questão seria abordada por mim, relator, antes do voto de mérito, como preliminar. O fato é que perdemos um dia de trabalho, segundo cronograma pré-fixado", afirmou. 

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