Voto de Toffoli e silêncio de Gurgel indicam que ministro fica no julgamento

Procurador-geral cogitou pedir impedimento de Toffoli, que já foi advogado do PT e é próximo de Lula, mas até agora não falou e ministro já deu voto na questão de ordem

Ricardo Galhardo - enviado do iG a Brasília | - Atualizada às

O fato de o ministro Dias Toffoli ter votado na questão de ordem apresentada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos para o desmembramento do processo do mensalão é motivo de otimismo entre defensores dos réus. Para eles, o voto de Toffoli e o silêncio do procurador geral da República, Roberto Gurgel, que até agora não se manifestou sobre o possível pedido de impedimento do ministro, indicam que ele deve continuar até o final do julgamento.

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Dias Toffoli é alvo de pressões para se declarar impedido de julgar o mensalão por vários motivos. Ele foi advogado do PT, é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi assessor de José Dirceu na Casa Civil e sua namorada, Roberta Rangel, advogou para um dos réus, o ex-deputado Professor Luizinho.

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“O momento para o Gurgel ter pedido o impedimento foi antes de o Toffoli votar a questão de ordem. Agora passou”, disse um dos advogados.

Tecnicamente, Gurgel ainda pode arguir o impedimento do ministro para julgar o mérito da ação, mas auxiliares, assessores e outros profissionais que trabalham no caso consideram que a hipótese ficou remota.

Segundo um dos advogados, Toffoli deu todos os sinais ao longo da semana de que participaria do julgamento. No entanto, as fortes pressões nos últimos dias causaram preocupação entre os réus. O principal motivo de apreensão foi a entrevista do ministro Marco Aurélio Mello ao Jornal Nacional, ontem, na qual disse que a participação de Toffoli causaria “constrangimento”.

“Ele (Toffoli) tem dito que vai votar. Mas toda essa pressão pode ter efeito emocional e fazer com que ele muda de ideia”, disse o advogado.

Para ele, o fato de Toffoli ter votado na questão de ordem mostra que o ministro descartou a possibilidade de pedir afastamento voluntariamente.

Caso Gurgel decida arguir o impedimento do magistrado, o pedido será julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Dias Toffoli votou contra o pedido de desmembramento feito por Thomaz Bastos, contrariando as especulações de que ele votaria sempre favoravelmente aos réus devido aos seus vínculos com o PT.

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