Dirceu fica em São Paulo no primeiro dia de julgamento do mensalão

O ex-ministro só deve ir ao STF às vésperas da sentença caso esteja seguro de uma decisão favorável

Ricardo Galhardo - enviado do iG a Brasília | - Atualizada às

O ex-ministro da casa Civil José Dirceu , o "chefe da quadrilha" segundo a Procuradoria Geral da República, nem sequer foi a Brasília no primeiro dia do julgamento. Dirceu passou toda a manhã em seu apartamento, em São Paulo, e deveria ir para sua casa em Vinhedo no início da tarde, antes do início dos trabalhos. O ex-ministro só deve ir ao STF às vésperas da sentença caso esteja seguro de uma decisão favorável.

Cronologia do mensalão: Relembre os fatos do maior escândalo do governo Lula

Mensalão: Quem são os 38 réus e a que crime respondem

Em números: Processo do mensalão bate todos os recordes do STF

O advogado de José Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, gostou de ter sido escolhido o primeiro a fazer a sustentação oral. "É bom porque assim a gente já tira a ansiedade da frente logo no começo", disse ele. Logo no início da sessão, o presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, protagonizou a primeira gafe do julgamento. Ao ler o nome dos réus da ação penal, ele se confundiu e leu o nome do advogado de Dirceu.

AE
Ex-ministro José Dirceu acompanha de sua casa, em Vinhedo, o julgamento do mensalão

Em sua defesa, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu afirma que o esquema de compra de apoio político foi uma invenção do ex-deputado federal Roberto Jefferson para abafar a crise envolvendo o PTB, partido do qual ainda é presidente, após o então chefe do Departamento de Compras e Contratações (Decam), dos Correios, Maurício Marinho, ter sido flagrado recendo propina de R$ 3 mil.

Investigações de uma CPI e do Ministério Público Federal (MPF) em 2005 apontaram que membros indicados pelo PTB, cujo líder era o ex-deputado federal Roberto Jefferson, cobravam propina para abastecer os cofres do PTB. Levantamento da Controladoria Geral da União (CGU) estima que o grupo ligado a Roberto Jefferson conseguiu aproximadamente R$ 5 milhões com o esquema.

Dirceu também conta com depoimentos de deputados federais que ratificam a tese da defesa do ex-ministro-chefe da Casa Civil. Uma outra linha de defesa do ex-ministro chefe da Casa Civil é demonstrar que não sabia dos empréstimos tomados pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares junto às empresas de publicidade de Marcos Valério.

Leia mais:  Se absolvido do mensalão, José Dirceu quer voltar à política

No entanto, para comprovar isso, Dirceu mostra que nenhum dirigente da Executiva do PT tinha conhecimento das operações comandadas por Soares. Alguns deles afirmaram em depoimento que souberam das operações de empréstimos do PT junto às empresas de publicidade de Valério pela imprensa.

Colaborou Wilson Lima, iG Brasília

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG