Dirceu, Delúbio e Genoino se uniram pelo sonho de mudar o Brasil, diz advogado

Estratégia de Malheiros, que defende Delúbio, será desqualificar a acusação de pagamento a parlamentares por apoio ao governo e dizer que pagamentos cobriam gastos de campanha

Ricardo Galhardo - enviado do iG a Brasília | - Atualizada às

“A quadrilha ocorre quando as pessoas se associam com a finalidade de cometer crimes. Acredito que o Delúbio, Genoino, José Dirceu, se associaram em torno de um o sonho de um projeto de poder, de uma ideia de mudar o Brasil, melhorar o Brasil na visão deles. Isso não é quadrilha. Se no curso aconteceu algum ilícito não se configura quadrilha”.

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A avaliação é do advogado Arnaldo Malheiros Filho, um dos defensores do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares no processo do mensalão.

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Em entrevistas concedidas antes do início do julgamento, Malheiros deixou claro que a estratégia será desqualificar a acusação de pagamento a parlamentares por apoio ao governo e dizer que os pagamentos feitos pelo ex-tesoureiro tinham o objetivo de cobrir gastos de campanha de candidatos do PT e partidos aliados nas eleições municipais de 2004.

Segundo Malheiros, o custeio das despesas eleitorais foi aprovado pelo diretório nacional do PT. O apoio ao governo era dado em troca da distribuição de cargos, de acordo como advogado.

“Tenho conversado com Delúbio, ele é um homem muito tranquilo, muito calmo e está totalmente confiante. Ele assume que deu dinheiro para políticos. Dinheiro para custear despesas de campanha e não para comprar apoio no Congresso, coisa que não é feita com dinheiro, é feita com a partilha do poder, e estava sendo feita”, disse Malheiros.

Segundo o advogado, o vídeo no qual o ex-diretor da ECT Maurício Marinho recebendo R$ 3 mil é uma prova de que o apoio ao governo era feito com base na divisão de cargos e não em pagamentos a parlamentares.

“Como é que este caso começou? Começou quando um diretor de estatal (Marinho) indicado pelo Roberto Jefferson, da base aliada, foi filmado recebendo dinheiro. Isso significa que o poder estava sendo partilhado. Era assim que se conseguia apoio e não com a atividade que o Delúbio exerceu de entregar dinheiro para pagamento de despesas de campanha”, disse o advogado.

Malheiros reiterou que a direção petista aprovou o custeio das campanhas aliadas.

“Na realidade o que houve foi uma decisão do diretório nacional do PT de custear as despesas dos seus diretórios estaduais e dos partidos aliados. O Delúbio era o tesoureiro do PT. Tomada esta decisão coube a ele disponibilizar os recursos”, afirmou.

Malheiros qualificou como requentada a notícia divulgada ontem pelo Ministério Público Federal sobre a nova denúncia contra Delúbio , agora por lavagem de dinheiro, acatada pela Justiça Federal.

“Requentaram os mesmos fatos, obtiveram uma decisão, engavetaram o processo por um mês para gerar notícia no dia do início do julgamento”, disse.

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