Antes do julgamento, Delúbio critica 'pelotão de fuzilamento' e nega mensalão

Em artigo publicado nesta quinta-feira, o ex-tesoureiro do PT, um dos 38 acusados no banco dos réus do STF, volta a negar uso de dinheiro público e se diz 'cumpridor das tarefas do PT'

iG São Paulo |

Pouco antes do início do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que acontece nesta quinta-feira (2), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos 38 réus do processo, negou ter havido compra de partidos políticos no Congresso Nacional durante o primeiro mandato do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e qualquer uso de dinheiro público. Para ele, o mensalão “não existiu” e há um “pelotão de fuzilamento moral” pressionando os ministros do STF.

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“Não houve dinheiro público, um centavo sequer, envolvido nos fatos que ocasionaram o atual processo. Não houve a compra de partidos políticos, de senadores ou de deputados para que votassem matérias de interesse do governo. Não existiu mensalão algum”, escreveu Delúbio em artigo publicado nesta quinta-feira, primeiro dia do julgamento no STF.

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Agência Estado
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, negou a existência do mensalão e atribuiu denúncias a adversários políticos e à imprensa

O ex-secretário de finanças do PT defendeu que os ministros do STF façam um julgamento técnico e estejam imunes às pressões dos “adversários” políticos do partido. “No momento em que o Brasil se apresta a acompanhar o julgamento da Ação Penal 470, o pelotão de fuzilamento moral montado pelos adversários que derrotamos não tem a menor importância. Importantes são os autos do processo e a serenidade dos que irão julgar”, diz.

Delúbio lembra que, em 2009, dirigindo-se aos correligionários, afirmou: "Não fui um alegre, um néscio, um ingênuo. Escolhi os caminhos a serem percorridos e aceitei os riscos da luta. Mas não fui, senão, em todos os instantes, sem exceção, fiel cumpridor das tarefas que me destinou o PT". O ex-tesoureiro petista também diz crer "em Deus, no povo e na Justiça".  

Além de criticar os adversários do PT, Delúbio não poupa a imprensa. “Os ódios e ressentimentos, expressos na deplorável fase adjetiva de parte da grande imprensa brasileira, todavia, tiveram o condão pedagógico de mostrar aos brasileiros uma face cruel, até então dissimulada e oculta”, afirma. “No passado, eram ‘vivandeiras de quartel’, sem votos e com teses esdruxúlas tentando evitar a posse dos eleitos através do descarado golpe de estado. Nos dias de hoje, são pauteiros de redação, assassinando reputações e rasgando biografias, buscando pelo engodo o poder que o povo lhes nega seguidamente nas eleições que perdem.”

Delúbio Soares é acusado de ser o terceiro membro do núcleo central do mensalão, de acordo com denúncia da Procuradoria Geral da República. É apontado, ao lado do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do ex-presidente nacional do PT José Genoino como mentor do mensalão e elo com o grupo do empresário Marcos Valério (acusado de desviar recursos para abastecer os cofres do PT) e a cúpula do partido.

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