Saiba o que fazem e por onde andam os réus do mensalão

Sete anos depois do maior escândalo do governo Lula, maioria dos envolvidos tem vida normal: uns viraram empresários, outros continuaram na vida política, alguns se deram bem como consultores e um deles virou poeta

Bruna Carvalho e Wilson Lima - iG São Paulo e iG Brasília | - Atualizada às

A maioria dos réus do mensalão, cujo julgamento começa na quinta-feira, 2 de agosto, no Supremo Tribunal Federal (STF), mantém as mesmas atividades que tinham antes da explosão do escândalo, em 2005. Entre os principais nomes, a única exceção é Marcos Valério, que deixou as empresas de publicidade, apontadas como financiadoras do esquema de pagamento de propina a políticos e partidos, e hoje presta consultoria.

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Outros nomes continuam como referência em suas respectivas áreas. O publicitário Duda Mendonça, acusado de ter dissimulado a origem dos recursos que foram destinados ao PT, mesmo depois do escândalo, trabalhou em campanhas como a da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), em 2010, e no plebiscito do Pará, no ano passado, pela frente a favor da divisão do Estado.

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Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, também não deixou a vida de publicitário. Ele mantém uma nova empresa no ramo, com grande atuação em Minas Gerais. Dois dos réus ainda mantêm suas funções como prefeitos, como Anderson Adauto e José Borba. Outros se afastaram um pouco da vida política, como o ex-deputado Carlos Rodrigues (bispo Rodrigues), hoje empresário do ramo das telecomunicações no Rio de Janeiro.

Confira a vida de alguns dos principais réus do mensalão:

Anderson Adauto - Acusado de ter sido um dos intermediários na "venda" de apoio do PTB, Adauto foi reeleito à Prefeitura de Uberaba em 2008, com 85 mil votos. Chegou a licenciar-se do cargo por três meses em 2010 para participar da campanha de Helio Costa ao governo do Estado;

Ayana Tenório – Acusada pela Procuradoria de autorizar empréstimos fraudulentos para o PT quando era executiva do Banco Rural, depois de anos de trabalho no mercado corporativo, ela tenta agora retomar a vida e reestruturar sua empresa de Recursos Humanos;

Carlos Rodrigues - Apontado como um dos beneficiados do esquema, o ex-deputado do PL hoje é empresário no ramo das telecomunicações, tendo controlado a Rádio Nova AM (hoje Rádio Record Rio) no Rio de Janeiro;

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Carlos Alberto Quaglia - Ex-sócio da Natimar, Quaglia teve poemas inscritos no prêmio Talentos da Maturidade , do banco Santander, em 2010 e participou de marchas pela paz;

Cristiano Paz - Ex-sócio de Valério, hoje, tem uma badalada agência de publicidade em BH aberta com seu filho, João. Na festa de 5 anos da empresa, teve até show do Toquinho;

Delúbio Soares – Ex-tesoureiro do PT durante o escândalo do mensalão, é acusado de ter contraído os empréstimos que financiaram a compra de apoio político de deputados. Foi expulso do PT no auge dos escândalos, mas readmitido no partido depois. Hoje, se dedica a atividades partidárias e empresariais. Tenta voltar à política, mas tudo dependerá do resultado do julgamento;

Duda Mendonça - Acusado de ter recebido recursos do chamado 'valerioduto', o publicitário continua atuando em seu ramo e fazendo campanhas eleitorais - entre elas a de Elmano Freitas, em Fortaleza;

Emerson Palmiere –  Ex-secretário do PTB foi acusado de ter mediado a compra de apoio político de integrantes do PTB. Ele ainda presta apoio informal a prefeitos e candidatos em Estados como a Bahia. Mas, oficialmente, trabalha apenas como fazendeiro;

João Paulo Cunha - Ex-presidente da Câmara que teria recebido R$ 50 mil do grupo de Valério é o único dos réus a disputar as eleições neste ano . Cunha é candidato à prefeito de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo;

José Borba -  Ex-deputado do PMDB teria recebido pagamentos de R$ 2,1 milhões do esquema. Atualmente, é prefeito de Jandaia do Sul, no Paraná, tendo sido eleito em 2008 com 43,16% dos votos;

José Genoino - Acusado de formar o núcleo central do esquema instituído por Dirceu, o ex-presidente do PT é assessor especial da Defesa e recebe um salário de R$ 8.890;

José Dirceu -  Acusado de ser o chefe do mensalão, Dirceu afastou-se oficialmente da vida pública depois de 2005. Mas mantém sua posição de líder dentro do PT e presta consultorias ao próprio partido e a empresários. Em sua defesa, fala que o mensalão foi uma invenção do ex-deputado federal Roberto Jefferson;

José Luiz Alves -  Acusado de ser um dos intermediários entre Marcos Valério e deputados federais, hoje ele é presidente da Codau, empresa de tratamento de água de Uberaba;

Kátia Rabelo - Presidenta do Banco Rural na época do mensalão foi acusada de autorizar os empréstimos supostamente fraudulentos que sustentaram o esquema. Ela foi afastada da presidência do banco, mas ainda controla uma das holdings do grupo;

Marcos Valério - É acusado de desviar recursos de empréstimos e contratos com o Banco do Brasil e a Câmara dos Deputados para os cofres de campanha do PT. Hoje, trabalha com consultoria;

Pedro Corrêa - Acusado de receber dinheiro do PT em troca de apoio no primeiro mandato do governo Lula, Corrêa, que é formado em medicina, hoje trabalha como pecuarista. Ele cuida de suas fazendas de gado em Pernambuco;

Ramon Hollerbach - Acusado de integrar o núcleo do chamado mensalão, o publicitário Hollerbach hoje assessora empresas com pesquisas de mercado, sua especialidade. Ele possui um escritório em Belo Horizonte

Roberto Jefferson –  Ex-deputado federal e delator do mensalão, Roberto Jefferson é presidente do PTB e recentemente passou por uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas. Como teve mandado cassado, está inelegível até 2015.

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