Um dos 38 réus do mensalão, petista também responde desde o dia 6 de julho por lavagem de dinheiro, cuja pena é de até dez anos de reclusão

Réu no processo do mensalão por corrupção ativa e formação de quadrilha, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares também responde desde o dia 6 de julho pelo crime de lavagem de dinheiro, cuja pena é de até 10 anos de reclusão.

O juiz da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Márcio Ferro Catapani, acatou a denúncia contra Delúbio apresentada pela procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins por lavagem de dinheiro. A nova ação é um desmembramento do processo do mensalão.

Leia mais: Saiba o que fazem e por onde andam os 38 réus do mensalão

Leia também: Mensalão deve ser tema de debate entre os candidatos em São Paulo

Saiba mais: Acusada de sacar dinheiro do mensalão trabalha hoje com minivans

Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos réus do mensalão, responde por lavagem de dinheiro em outro processo
Agência Estado
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos réus do mensalão, responde por lavagem de dinheiro em outro processo

Segundo a procuradora, o ex-tesoureiro do PT usava um esquema que incluía as agências de publicidade SMP&B e DNA, ambas pertencentes ao empresário Marcos Valério de Souza, e o Banco Rural para desviar recursos públicos com a finalidade de abastecer parlamentares do PT e de partidos da base aliada. Na denúncia, o Ministério Público Federal cita o desvio de pelo menos R$ 450 mil.

Segundo a procuradora, o dinheiro entrava de duas formas. A primeira era por meio de empréstimos feitos pelas agências junto ao Banco Rural que nunca eram pagos. A segunda envolvia contratos das agências com órgãos públicos cujos serviços nunca eram prestados.

Leia mais: Mensalão deve ser julgado sem pressão, diz José Sarney

Leia também: Tumor de Roberto Jefferson é maligno, diz médico

Os valores eram sacados em espécie por emissários de Delúbio. A procuradora diz ter os nomes de pelo menos dois destes emissários em um email enviado pela gerente da SMP&B ao Banco Rural.

“As agências de publicidade repassavam os recursos ilicitamente obtidos a representantes do Partido dos Trabalhadores, entre outros, seja para apropriação pessoal de seus membros, seja para repasse a membros congressistas da base aliada, a fim de obtenção de apoio ao poder executivo”, diz a denúncia.

Segundo a procuradora, o Banco Rural repassava o dinheiro em troca de benefícios do governo, entre eles a compra do Banco Mercantil de Pernambuco. Com o esquema, os envolvidos driblavam os órgãos de fiscalização.

“Dessa forma, ocultava-se não apenas a propriedade dos recursos (jáque Delúbio não aparecia como destinatário), como também a própria movimentação, localização e disposição, pois os recursos físicos não eram passíveis de terem sua movimentação, localização e destino finais tracejados pelos órgãos de controle”, afirma a procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins. 

Em sua decisão, o juiz diz existirem provas das ilegalidades. “Os elementos constantes no inquérito policial que acompanham adenúncia trazem, na trilha cognitiva cabível no presente momento processual, a certeza necessária para o início de uma nova persecução criminal, ante os fortes indícios de materialidade e autoria delitiva, havendo, portanto, justa causa para a ação penal”, afirma o juiz.

Questionado sobre o fato de a Justiça Federal de São Paulo ter acatado denúncia por lavagem de dinheiro, o advogado de Delúbio, Celso Vilardi, disse que ainda não leu a decisão: "Ainda não li, mas é uma bobagem", disse.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.