Candidato pelo PSD de Kassab, ex-BBB Serginho quer micareta gay no Anhembi

Em entrevista ao iG, ex-participante de reality show diz que deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) o inspira, revela que já sofreu preconceito na campanha e elogia Serra e Dilma

Fábio Matos - iG São Paulo |

Eliminado da 10ª edição do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, em março de 2010, com 53% dos votos do público, Sergio Luiz Franceschini, o Serginho, de 23 anos, vem se preparando para uma nova empreitada em que tentará conquistar a preferência do eleitorado. Sem nenhuma experiência na vida política, mas muito popular no mundo virtual e nas redes sociais, o ex-BBB será candidato a vereador em São Paulo pelo PSD do prefeito  Gilberto Kassab .

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Divulgação
Eliminado do 'Big Brother Brasil 10' em votação apertada, Serginho tenta uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo a partir do ano que vem

Defensor dos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) Serginho conversou inicialmente com a reportagem do iG durante um curso de liderança política ministrado aos candidatos a vereador pela coligação que sustenta a candidatura do ex-governador José Serra (PSDB) à prefeitura da capital, formada por PSDB, PSD, DEM, PR e PV, realizado no último dia 20 de julho. “É um começo ainda. Eu tenho que aprender bastante, é tudo muito novo para mim. Esse mundo da política é muito complicado. Mas eu estou estudando bastante e aprendo fácil”, disse na ocasião. 

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Dias depois, em entrevista concedida por e-mail, Serginho - conhecido no mundo virtual como  “Sr. Orgastic” – contou por que quis entrar na política e falou sobre alguns de seus planos caso seja eleito para uma vaga na Câmara Municipal. “Tenho em mente a criação de uma micareta, onde haverá o desfile de trios elétricos no Anhembi, representando as paradas gay de todos os municípios do Estado de São Paulo. Essas paradas movimentam a economia. É uma diversão, aliada à defesa de posição dos gays na sociedade”, afirmou. Mas não é só: “Minha proposta é a criação de projetos para expansão do atendimento psicossocial para toda a diversidade humana, em favor do combate ao preconceito da população minoritária de caráter racial, étnico, homofóbico e preconceituoso, e divulgar os benefícios de um acompanhamento profissional em cada bairro”, continuou o candidato do PSD.

Questionado por que havia decidido entrar na política partidária e escolhido o PSD – e não outros partidos historicamente mais ligados às questões de gênero –, Serginho revelou que também foi sondado por outras legendas e elogiou as propostas da agremiação criada por Kassab. “A decisão foi tomada depois de conhecer as propostas dos outros partidos políticos. O PSD estava mais ligado aos projetos que tenho em mente, principalmente com relação ao apoio para criminalização da homofobia. Tive o convite de vários partidos”, disse. "O que levou a me filiar foram os princípios e valores apresentados pelo PSD, principalmente a igualdade de oportunidades, a liberdade, responsabilidade individual e a proposta de continuação das obras sociais. Tive também promessa de apoio a meus projetos para a classe GLBT e outras classes sociais. Acho hoje a maioria dos partidos está dando mais atenção à nossa causa.”

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Debutante em disputas eleitorais, mas com experiência no “paredão” do BBB, Serginho garante que está se informando a respeito dos meandros da política nacional. “Estou me preparando estudando, pesquisando e observando mais a vida política do País como um todo. Eu disse que a política é complicada, nela você não consegue trabalhar sozinho, precisa de aliados, adversários políticos em um momento podem ser os aliados em outro, tudo depende do que está em jogo. A complexidade da política não me assusta e vou lutar constantemente para fazer sempre algo bom pela sociedade e pelo planeta", promete. 

Jean Wyllys, Serra, Dilma e preconceito

Deputado federal eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro em 2010, Jean Wyllys também é defensor da causa LGBT. E também é ex-participante do Big Brother Brasil (foi o vencedor da quinta edição do programa, em 2005). Serginho “Orgastic” diz que o colega tem um “perfil mais austero”, diferente do seu, mas serve como inspiração para uma futura trajetória política. “O trabalho de deputado federal é árduo e demora a aparecer, e o Jean tem se destacado na luta para conseguir fazer um bom trabalho. Ele é diferente de mim, tem um perfil mais austero, mas me inspira por ter demonstrado ser uma pessoa de bem e estar trabalhando dignamente na Câmara dos Deputados”, elogia.

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Integrante do “chapão” de vereadores que apoia a candidatura de Serra a prefeito de São Paulo, mas ciente de que o PSD é um potencial aliado do governo da presidenta Dilma Rousseff em nível federal, Serginho elogia tanto o tucano quanto a petista, adversários na corrida presidencial em 2010. “O Serra tem uma boa biografia política e é muito querido pelo povo de São Paulo. Gosto da forma como ele disputa, sempre com muita garra e dignidade, os cargos para os quais se candidata”, diz. “E é bom ver uma mulher na Presidência. Amanhã poderemos ter um gay. É o povo brasileiro mostrando que o que importa é a pessoa e não sua condição ou opção sexual. A presidenta Dilma tem um grande apoio no Congresso, isso facilita as coisas. É um momento delicado da economia internacional e ela tem um grande desafio pela frente.”

O candidato do PSD, que participou justamente da edição do Big Brother vencida por Marcelo Dourado participante que chegou a ser acusado de homofobia por algumas entidades ligadas à defesa dos direitos dos homossexuais –, afirmou que não foi alvo de discriminação durante o programa. Mas revelou que já sofreu preconceito na campanha eleitoral. “No programa, nunca fui vítima de preconceito. Fora, sim. A palavra ‘homofobia’, assim como outros tipos de discriminação contra as minorias, não pode ser banalizada. Eu não me incomodo com comentários ou piadas acerca do meu personagem ou da minha sexualidade, o brasileiro faz piada com tudo. O que realmente me preocupa é quando atitudes preconceituosas prejudicam as minorias por conta de sua condição de sexo cor ou raça ou religião”, diz.

“As pessoas escrevem coisas horríveis em sites onde podem comentar minha candidatura. Elas estão exercendo o direito de se expressar, mas sei quem eu sou e isso não vai me abalar”, continua Serginho. “Na verdade, fico até lisonjeado de ter tantas pessoas falando da minha campanha. Isso vai favorecer o apoio de pessoas que repudiam esse tipo de atitude. O voto é livre, ninguém é obrigado a votar em mim. Mas aqueles que votarem vão se orgulhar do meu trabalho na Câmara Municipal.”

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