Russomanno nega ter beneficiado Dolly em audiências

Quando deputado federal, candidato do PRB em SP defendeu Laerte Codonho, dono da marca de refrigerantes Dolly e que foi condenado à prisão por crime contra ordem tributária

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O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno , relatou que tentou "mediar uma solução" entre a Dolly e a Coca-Cola antes da audiência na Câmara, mas disse que a tentativa foi "infrutífera".

Acusação: Russomanno é sócio de empresário que defendeu na Câmara

Epitácio Pessoa/AE
Candidato do PRB à prefeitura de São Paulo em foto de arquivo

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"Houve reuniões em lugares pré-estabelecidos pela própria Coca-Cola a fim de que pudesse tomar ciência do que a Pananco (que depois se transformou em Femsa, engarrafadora do refrigerante) fazia contra a Dolly em São Paulo", disse.

As declarações foram feitas depois da revelação de que Russomanno usou seu mandato quando era deputado federal para defender o empresário Laerte Codonho , que foi condenado à prisão pela Justiça por crime contra a ordem tributária e hoje é seu sócio.

Dono da marca de refrigerantes Dolly, Codonho foi o principal doador de Russomanno na campanha eleitoral de 2010, quando o então deputado disputou o governo paulista. Deu R$ 250 mil ao candidato, por meio da empresa Tholor do Brasil. Também patrocinou o Programa Celso Russomanno, exibido pela TV Gazeta entre 2006 e 2008, com a marca Guaraná Dolly.

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Em 2004, quando era deputado pelo PP, Russomanno apresentou à Comissão de Defesa do Consumidor, na Câmara dos Deputados, o requerimento de número 301, no qual pedia para que fossem investigadas denúncias sobre suposta concorrência desleal da Coca-Cola contra a Dolly.

O candidato sustentou que durante anos manteve "bom relacionamento e amizade" com a direção da Coca-Cola e declarou que, antes do caso da Dolly, mediou e resolveu dois casos envolvendo a multinacional.

Ele afirmou que tomou conhecimento pela reportagem do jornal O Estado de S.Paulo da condenação judicial de Codonho e disse que só se manifestará quando o processo for concluído.

Também por e-mail, o empresário defendeu Russomanno e destacou a "coragem" do sócio. Questionado se o então deputado atuou como árbitro no litígio contra a Coca, Codonho afirmou: "Não tenho conhecimento de que ele atuou como árbitro. Ele simplesmente teve coragem de defender uma indústria brasileira contra os interesses e o massacre da Coca-Cola".

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O empresário acrescentou que nunca pediu ao então deputado que fizesse o requerimento solicitando a audiência na Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara dos Deputados.

Codonho contou que conheceu Russomanno em 2003, em Brasília - mesma versão apresentada pelo candidato - e resolveu patrocinar o programa na TV do então deputado "por ser um excelente comunicador". O empresário sustentou que entrou como sócio na produtora do então deputado para "reduzir custos de publicidade".

Codonho diz que sua condenação judicial "é um equívoco por não ser sócio da empresa". Ele alega não ter relação com a Ragi Refrigerantes, que engarrafava e comercializava a Dolly. "Fui declaro impedido de ter acesso ao processo justamente por não ser sócio e, portanto, não ser parte interessada. Tenho a convicção de que, prevalecendo Justiça, a condenação não vai prosperar".

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