Ex-sócio de Marcos Valério admite que trocou empréstimos por cotas do PT

Cristiano Paz, então sócio da SMP&B, afirma nas alegações finais que visava os contratos de publicidade das eleições de 2004 e não sabia o destino dos recursos

Wilson Lima - iG Brasília |

Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério, acusado pela Procuradoria Geral da República de ser o operador do mensalão, admitiu nas suas alegações finais que contraiu empréstimos para o PT, visando as cotas de publicidade para eleições municipais de 2004 e institucionais do partido. No entanto, ele confirmou que Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, determinava para quais partidos iriam os valores referentes aos empréstimos tomados pela SMP&B, empresa da qual era sócio de Valério.

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Na denúncia da Procuradoria, Paz foi indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por sua sociedade com Marcos Valério. Seus advogados argumentam que ele não pode ser indiciado por esses crimes simplesmente pelo fato de ser apenas “sócio” de Marcos Valério.

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Durante depoimento prestado na fase processual, Cristiano Paz admitiu que autorizou os empréstimos ao PT sob a “expectativa de que tal intermediação permitisse que a SMP&B não apenas realizasse as campanhas eleitorais do PT, mas também cuidasse da publicidade institucional do partido”.

Apesar disso, Paz argumenta que não teve contato com Delúbio Soares, muito embora soubesse das relações entre Valério e Soares. “Os valores tomados emprestados tiveram sua destinação posterior a partir da determinação de Delúbio Soares, que apontava a Marcos Valério, quem seriam os beneficiados”, argumentam os advogados de Cristiano Paz.

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Nas suas alegações, Paz afirma que não tinha o menor conhecimento da destinação dos empréstimos contraídos pela SMP&B por Marcos Valério, embora tenha autorizado o suposto operador do mensalão a contrair essas dívidas em nome da empresa. “Cumpre reiterar que, na SMP&B, Cristiano exercia o cargo de presidente, função que é atribuída ao homem de criação de qualquer empresa publicitária. Não exercia qualquer atividade relacionada aos setores administrativos e financeiro da agência, o que restou exaustivamente comprovado nos autos”, argumentam os advogados do publicitário.

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