Virgílio Guimarães foi quem apresentou, no final de 2002, o publicitário a José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares, hoje réus do julgamento do mensalão

Agência Estado

Membro do diretório nacional do PT e coordenador da campanha de Patrus Ananias à Prefeitura de Belo Horizonte, o ex-deputado Virgílio Guimarães não esconde suas relações com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. "Eu sou a única pessoa que nunca falou: ‘Sou um ex-amigo do Marcos Valério’. Nuca falei isso", afirmou. "Éramos da mesma cidade (Curvelo, em Minas), em que todas famílias se conhecem. Somos de famílias amigas."

Veja o especial do iG sobre o julgamento do mensalão

Perfis: Quem são e que crimes cometeram os 38 réus do mensalão?

Virgílio foi quem apresentou, no final de 2002, Valério - então dono das agências de publicidade SMPB e DNA - à cúpula petista da época, entre eles José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares, que depois se tornariam réus no processo sobre o escândalo que atingiu o primeiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva .

Há cerca de três semanas, Virgílio se encontrou com Valério na casa do empresário, em Belo Horizonte. Do encontro participou também o advogado Rogério Tolentino, ex-sócio do empresário e também réu no mensalão - de quem o ex-deputado é amigo de infância.

Virgílio garante que Valério não falou sobre supostas ameaças ou chantagens que estaria fazendo ao partido ou ao ex-presidente Lula. O empresário apontado como o operador do mensalão, segundo o ex-deputado, fez um desabafo e criticou a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que indicou que repasses de recursos autorizados pelo Banco do Brasil do Fundo Visanet para a DNA teriam sido usados no esquema.

"Ele fala que a Visanet deve para as empresas dele, que ele vai ganhar na Justiça; que o pagamento adiantado é uma praxe de mercado; que os critérios da 8666 (Lei de Licitações) não regem as práticas do mercado privado de publicidade", disse.

‘Rolo eleitoral’

O ex-deputado do PT se sente "100% descompromissado" com os correligionários que responderão ao processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas acredita na versão de que o escândalo não passou de um crime eleitoral.

Virgílio se ressente do fato de, segundo ele, Dirceu, Genoino e Delúbio terem defendido sua expulsão do partido por ele ter disputado a presidência da Câmara dos Deputados na condição de candidato avulso, o que ajudou Severino Cavalcanti (PP-PE) a ser eleito, em 2005.

"A única coisa que eu tenho para te dizer é que até onde a minha vista alcança não tem recursos públicos", disse Virgílio. "A impressão que passa é que rolo eleitoral teve, com certeza. Mas se teve desvio de recurso público eu não tenho conhecimento." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.