Em alguns Estados, entidades querem levar trabalhadores para Brasília para pressionar por “análise técnica” do caso; julgamento começa em 2 de agosto

Sob a justificativa de pressionar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a fazer uma “análise técnica do mensalão contra uma prévia condenação do sistema neoliberal e da mídia”, movimentos sindicais e sociais em alguns Estados brasileiros pretendem enviar caravanas de trabalhadores até Brasília para acompanhar o julgamento, cujo início está marcado para o dia 2 de agosto.

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Não existe, de forma oficial, orientação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) nesse sentido. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, a CUT nacional afastou a possibilidade de fazer movimentos pressionando os ministros por qualquer motivo que seja. No entanto, dentro da CUT, impera o discurso de que é importante que o STF “faça justiça, descartando qualquer conotação política do caso”.

Em Minas Gerais, Estado de origem do processo do mensalão, a CUT, em parceria com sindicatos de base e movimentos sociais, vai definir nesta quarta-feira (25) como vai acompanhar o julgamento em Brasília. “Vamos ver como isso pode ser operacionalizado, mas não é questão fechada ainda”, disse Carlos Magno de Freitas, vice-presidente da CUT mineira.

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A ideia em todo o Brasil a princípio é enviar caravanas para Brasília. No Paraná, apesar de não ter sido fechada nenhuma questão nesse sentido, já existem conversas também para enviar trabalhadores à capital federal. O iG apurou que existem negociações também sobre isso em alguns Estados da região norte e nordeste, como Pará e Maranhão. A CUT paulista não fala oficialmente sobre o assunto.

A estratégia de pressionar os ministros por um “julgamento técnico”, no entanto, não é bem vista por uma corrente mais pragmática dentro da CUT, como por exemplo no Rio de Janeiro. A executiva carioca da entidade acredita que existem “bandeiras de luta” mais importantes do que o julgamento do mensalão. Atualmente, a entidade encabeça as lutas por melhorias salariais do funcionalismo público federal.

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Temendo eventuais manifestações e atos de depredação durante o julgamento, o presidente do STF, ministro Ayres Britto, pediu na semana passada reforço de policiamento ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Nessa semana, Cardozo determinou que policiais federais ficassem à disposição do Supremo para qualquer eventualidade.

Alguns ministros do STF também acham que a Força Nacional deva ser deslocada para ajudar no esquema de segurança do mensalão. Mas, até o fechamento desta reportagem, não havia qualquer solicitação do STF ao governo do Distrito Federal nesse sentido. A legislação determina que o envio de tropas da Força Nacional, mesmo que para ajudar no policiamento de um julgamento do Supremo, deve ser feita por meio de um Estado, no caso específico o Distrito Federal.


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