Em 2º dia de audiência, defesa do grupo de Cachoeira tenta desqualificar escutas

À Justiça de Goiânia, grupo ligado ao bicheiro questiona a Operação Monte Carlo e tenta anular as provas da investigação que levou à prisão do contraventor

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No segundo dia de audiências do processo penal da operação Monte Carlo, na Justiça Federal em Goiânia, a defesa de Carlinhos Cachoeira e outros sete acusados seguiu a estratégia de atacar as provas por questões processuais. O objetivo principal é desqualificar as escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, que identificaram o grupo de Cachoeira e chegaram a políticos como o ex-senador Demóstenes Torres.

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Ed Ferreira / AE
Andressa Mendonça, mulher Cachoeira, passa por revista ao chegar ao prédio da Justiça Federal de Goiânia em 2º dia de audiências


Prestaram depoimento nesta manhã os policiais federais Renato Moreira Peixoto e Daniel Guerra Ferreira, que atuaram na Monte Carlo, operação que prendeu o contraventor. Sentados do lado direito do palco do auditório da Justiça Federal, advogados fizeram perguntas sobre o Guardião, sistema de grampos usado pela polícia. Cachoeira e outros réus estão presentes, sentados na primeira fila do auditório.

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Uma das linhas de defesa é alegar que as escutas não poderiam ter continuado ao atingir pessoas com foro privilegiado, como Demóstenes. Outro argumento é que linhas telefônicas teriam sido acessadas e depois descartadas sem critérios. O processo de uso de senhas para acessar as escutas também é questionado repetidamente. A defesa tentou apontar problemas no prazo das interceptações, mas as testemunhas explicaram que o acompanhamento era interrompido antes do período máximo legal, de 15 dias.

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O advogado de Wladimir Garcez, Ney Moura, perguntou a cada policial que prestou depoimento se ele tinha passado antes por um curso de fonética. Os advogados de Cachoeira, Dora Cavalcanti e Augusto Botelho, insinuam em suas perguntas que não haveria elementos para a autorização das escutas. Eles insistem em pedir documentos anteriores que comprovassem a necessidade dos grampos.

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Enquanto os advogados sustentam que as escutas teriam se baseado em denúncia anônima, policiais disseram que antes dos grampos fizeram diversas operações em casas de jogos ilegais e identificaram policiais trabalhando na segurança. Operações anteriores da Polícia Federal, como a Castelo de Areia, foram anuladas no Judiciário com o entendimento de que os grampos foram baseados em denúncia anônima.

A defesa também tentou insinuar que a operação Monte Carlo seria, na verdade, uma continuação da Vegas, que investigou os mesmos alvos mas foi interrompida ao atingir políticos, quando foi remetida à Procuradoria-Geral da República. Com isso, tentam sustentar que a Monte Carlo teria sido uma tentativa de continuar a Vegas, o que a polícia nega. Os policiais disseram que não tinham conhecimento da Vegas, pois no modelo de trabalho da PF uma equipe não é informada sobre o trabalho das outras.

Os advogados tentam ainda questionar a competência da Polícia Federal para investigar o grupo de Cachoeira, alegando que o caso seria de competência da Justiça Estadual e, portanto, deveria ser investigado pela Polícia Civil. Volta e meia, há bate-boca entre a defesa e o Ministério Público.

No primeiro depoimento de hoje, o advogado de Gleyb Ferreira da Cruz, Douglas Messora, atribuiu ao agente Renato Peixoto a fala de que a polícia teria feito "deduções" de que o grupo de Cachoeira pagaria dinheiro a colaboradores. O policial negou ter dito isso e o procurador Daniel Resende reclamou : "O senhor está colocando palavras na boca da testemunha".

"O senhor fica quieto e eu falo. O senhor é defensor dele?", retrucou o advogado. "Não, eu sou o fiscal da lei. Quem tem que se colocar no seu lugar é vossa excelência", respondeu o procurador. O juiz interrompeu e o depoimento prosseguiu. Às 12h, a audiência foi interrompida para almoço. Durante a tarde, serão ouvidas testemunhas de defesa. 

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