Demóstenes faz resenha de livro para jornal goiano e recomenda ida a Lisboa

Ex-senador, cassado no dia 11 e acusado de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, assina artigo em que fala sobre terremoto que destruiu a capital portuguesa no século XVIII

iG São Paulo |

Após ter o mandato de senador cassado pelo Congresso Nacional , acusado de envolvimento com o grupo criminoso comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) já está se ocupando com outras atividades. Na última sexta-feira (20), ele voltou a exercer a função de procurador de Justiça no Ministério Público de Goiás e, além disso, também escreveu uma resenha de um livro para o jornal goiano “Opção”.

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O texto, intitulado “Quando o mal vem do mar”, trata da última visita de Demóstenes a Lisboa, em Portugal, e de suas impressões sobre o livro “A Ira de Deus”, de Edward Paice (Editora Record). A obra destaca os terremotos, um tsunami e um grande incêndio que destruíram a capital portuguesa no século XVIII. “Já procurador-geral de Justiça, enfim, atravessei o Atlântico e realizei o desejo de visitar a terra dos antepassados paternos. Foi tão rápido (‘visitar’, não ‘conhecer’) que nem me lembrei do terremoto”, escreve o ex-parlamentar em seu artigo.

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Demóstenes Torres agora dirige seu próprio carro para o trabalho na 27ª Procuradoria Criminal em Goiânia; ele também escreveu resenha de um livro para jornal goiano

Demóstenes procura dar um tom emocional ao texto e recorda suas origens portuguesas para ilustrar a viagem. “A origem lusitana me despertava a curiosidade de, um dia, conhecer Portugal. Ainda menino, na escola, ficava fascinado com as ilustrações dos navios saindo do rio Tejo para as grandes descobertas. Mais tarde, estudei sobre o ‘desastre de Lisboa’, um coquetel de desgraças com terremotos que na escala Richter teriam até 9 graus, tsunami com ondas de 20 metros de altura e incêndio com uma semana de labaredas”, diz.

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O ex-senador compara suas andanças pela cidade na mais recente viagem a Lisboa a “uma aula de história e arquitetura”. “Procurei um mapa atual e comparei com a imagem da parte baixa apresentada logo por Paice no início do livro. É outra cidade. E não é de agora. Foi reconstruída pelo Marquês de Pombal. Os alfacinhas se orgulhavam de sua cidade de uma maneira tão devotada que diziam sem pestanejar: “Quem não conhece Lisboa, não conhece coisa boa”, escreve Demóstenes.

No fim de seu artigo, Demóstenes Torres afirma que “após a tragédia provocada pelo populismo, Portugal está novamente se reerguendo” e aproveita para dar dicas de viagem aos leitores. “Se o leitor quiser fazer um passeio internacional maravilhoso, recomendo a terrinha. É um turismo barato, levando-se em conta o doméstico. Não precisa saber outro idioma, apesar de nos primeiros dias parecer que eles falam qualquer língua, menos a inculta e bela. Sobretudo, vai voltar com muito assunto”, diz.

O ex-senador  encerra voltando a citar o livro resenhado para o jornal: “Programe o passeio para as próximas férias e leve o exemplar de ‘A Ira de Deus’ para checar a geografia e a história. Verá que elas não precisam de tragédia para mudar, mas mu­dam mais rápido quando se dispõe de um Pombal, um Vol­­taire e um mundo novo do outro lado do oceano para bancar as transformações.”

No último dia 11, Demóstenes teve o mandato cassado em votação secreta realizada pelo Senado Federal . Ao todo, 56 parlamentares votaram pela cassação, 19 foram contrários e houve cinco abstenções.

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