Defesa de Cachoeira questiona acesso da Polícia Federal a linhas telefônicas

Advogados dizem que identificaram 213 linhas acessadas pela PF durante a Operação Monte Carlo que não teriam sido incluídas como alvo da interceptação

iG São Paulo |

No primeiro dia de depoimento das testemunhas na ação criminal da Operação Monte Carlo , na Justiça Federal em Goiânia, a defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , disse que identificou 213 linhas telefônicas acessadas pela Polícia Federal durante a operação, mas que não teriam sido incluídas como alvo da interceptação. A estratégia da defesa é tentar desqualificar as escutas, repetindo o que já ocorreu com outras grandes operações da PF.

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"Houve uma mega interceptação telefônica para basear uma denúncia pré-concebida. É obscuro como foram sendo identificados os possíveis interlocutores. Não foi dado à defesa conhecer o panorama total das investigações. Assim como a Polícia Federal, a defesa quer ver o todo", afirmou a advogada Dora Cavalcanti, que defende Cachoeira. "Duzentas e treze linhas telefônicas foram vasculhadas e descartadas, não sabemos por quê", completou. "A audiência de hoje consubstanciou o que estávamos dizendo, que é fundamental que venha aos autos o universo global das pessoas investigadas", disse Dora.

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A advogada também questionou o motivo pelo qual a operação não foi paralisada após a identificação de conversas com pessoas com foro privilegiado, como era o caso do então senador Demóstenes Torres. Ela ainda questionou policiais da PF, arrolados como testemunhas de acusação, sobre quais fatos levaram às primeiras interceptações telefônicas. "Alguma diligência prévia, documentada, veio antes da interceptação telefônica?", questionou. 

Os policiais afirmaram que foram feitas verificações em locais de casas de jogos, mas as investigações eram dificultadas pela presença de policiais militares que faziam a segurança dos locais. Depõe neste momento o policial federal Luiz Carlos Pimentel, chefe substituto do núcleo de inteligência da operação. Ele explicou como funcionaram as interceptações, deu detalhes sobre a contabilidade do grupo e relatou que, nas planilhas da organização, o pagamento de propina era identificado como "assistência social".

A acusação e a defesa nomearam ao todo 14 testemunhas, mas apenas duas foram ouvidas até o momento. 

Entenda o caso

A Operação Monte Carlo foi deflagrada em fevereiro deste ano e levou à prisão Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar um esquema de jogos ilegais, envolvendo servidores públicos e privados. Sua relação com políticos fomentou a criação de uma CPI e provocou a c assação do senador Demóstenes Torres.

Cachoeira, que está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, foi transferido na segunda-feira para a sede da Polícia Federal de Goiânia . Ele ficou proibido de receber visitas durante a segunda-feira.

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Sua mulher chegou a comparecer ao prédio, mas foi barrada pelos policiais, que apenas permitiram que ela escrevesse um bilhete para o contraventor .

Também na segunda-feira, o juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou o pedido da defesa de Cachoeira para que ele permanecesse calado durante depoimento na quarta.

O habeas corpus para garantir que Cachoeira pudesse ficar calado foi protocolado no TRF1 no final da semana passada. Os advogados queriam resultado semelhante ao que ocorreu na CPI do Cachoeira, em que o empresário se negou a responder às perguntas dos parlamentares.

Com Valor Online

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