Cachoeira comparece a audiência para ouvir depoimento de testemunhas

Primeiro dia das audiências referentes à Operação Monte Carlo deve ouvir testemunhas de acusação e defesa; advogados tentaram cancelar a sessão, mas juiz negou pedidos

iG São Paulo | - Atualizada às

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , compareceu nesta terça-feira ao prédio da Justiça Federal de Goiás, onde acontece o primeiro dia das audiências do processo referente à Operação Monte Carlo , da Polícia Federal (PF).

Nesta terça, a 11ª Vara da Justiça Federal de Goiás ouve as testemunhas de acusação - quatro policiais federais - e de defesa no processo contra Cachoeira. Na quarta, o próprio contraventor e mais sete réus da ação irão depor. 

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Cachoeira chegou à audiência por volta das 8h15, acompanhado por escolta policial. Ele e outros 80 réus são acusados de formação de quadrilha armada, corrupção, peculato e violação de sigilo funcional.

Além do contraventor, sua mulher, Andressa Mendonça; seu pai, Sebastião de Almeida Ramos; e  Idalberto Matias Araújo, o Dadá, também réu da ação, estão presentes na audiência, que teve início por volta das 9h.

Desmembramento do processo

Antes mesmo de começarem os depoimentos, advogados pediram o cancelamento da audiência, com o argumento de que o direito de defesa foi violado.

Primeiro, foi questionado o desmembramento do processo. Na primeira ação penal da Monte Carlo, o Ministério Público Federal denunciou 81 réus, mas o caso foi desmembrado para que os oito acusados que tiveram prisão preventiva decretada sejam julgados primeiro.

O advogado Leonardo Gagno, que defende Dadá reclama que os advogados de cada um dos 81 acusados deveriam ter sido citados para acompanhar as audiências de hoje e amanhã, já que as informações prestadas seriam relevantes para a defesa de todos os envolvidos no processo.

Mas o juiz Alderico Rocha Santos, que conduz as audiências, negou o pedido afirmando que não caberia ao advogado defender o direito de outros réus que não fazem parte deste bloco da ação.

O juiz também declarou que as provas produzidas nestas audiências não terão repercussão no processo desmembrado, ou seja, não poderão ser usadas como provas emprestadas. "Não há de se falar em prejuízo para os denunciados nos autos que se formaram em razão do desmembramento", disse o juiz.

Tentativa de suspensão

A defesa de Carlos Augusto Ramos também pediu a suspensão da audiência. A advogada de Cachoeira, Dora Cavalcante, afirmou que as operadoras telefônicas não apresentaram dados com a identificação de "senhas genéricas" identificando o universo de pessoas investigadas na operação Monte Carlo, e que depois teriam sido descartadas ou incluídas na ação penal.

"A defesa considera essencial para a compreensão do universo probatório", disse a advogada.

O juiz novamente negou o pedido. "As testemunhas de acusação, que são os policiais responsáveis pelas escutas telefônicas, irão contribuir para se conhecer o alcance das referidas senhas. Ademais, há de ser ressaltado que este juízo já oficiou as operadoras de telefonia por diversas vezes a fim de que informassem quais os seus clientes que tiveram dados cadastrais acessados por policiais na atuação das investigações da chamada operação Monte Carlo, sendo que todas as operadoras já responderam."

Entenda o caso

A Operação Monte Carlo foi deflagrada em fevereiro deste ano e levou à prisão Carlinhos Cachoeira , acusado de explorar um esquema de jogos ilegais, envolvendo servidores públicos e privados. Sua relação com políticos fomentou a criação de uma CPI e provocou a cassação do senador Demóstenes Torres .

Cachoeira, que está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, foi transferido na segunda-feira para a sede da Polícia Federal de Goiânia . Ele ficou proibido de receber visitas durante a segunda-feira.

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Sua mulher chegou a comparecer ao prédio, mas foi barrada pelos policiais, que apenas permitiram que ela escrevesse um bilhete para o contraventor.

Também na segunda-feira, o juiz do Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou o pedido da defesa de Cachoeira para que ele permanecesse calado durante depoimento na quarta.

O habeas corpus para garantir que Cachoeira pudesse ficar calado foi protocolado no TRF1 no final da semana passada. Os advogados queriam resultado semelhante ao que ocorreu na CPI do Cachoeira, em que o empresário se negou a responder às perguntas dos parlamentares.

Com Valor Online

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