Aliados articulam candidatura alternativa à Presidência da Câmara

Líder do PSD, Guilherme Campos diz que após eleições partido volta a conversar com PSB e PC do B para definir nome que deve "chacoalhar" disputa com peemedebista

Fred Raposo - iG Brasília |

Divulgação
Para líder do PSD, Guilherme Campos, candidatura alternativa deve "chacoalhar" a Câmara

Contra a vontade do Palácio do Planalto, partidos da base aliada já articulam uma candidatura alternativa a do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à Presidência da Câmara dos Deputados. O líder do PSD, deputado Guilherme Campos (SP), afirma ao iG que, após as eleições, a sigla voltará a negociar com PSB e PC do B a formação de um bloco que pode definir, até o fim do ano, um nome para concorrer contra o peemedebista.

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Os três partidos vêm conversando sobre a união desde pelo menos abril. Se for confirmada, o bloco se torna a maior força da Câmara, somando 89 deputados – dois a mais do que o PT, partido com maior número de parlamentares em exercício na atual legislatura. “É um bloco que pode dar muitos encaminhamentos”, ressalta Campos. “Uma delas é a presidência da Câmara. Outra, o seu apoiado (na eleição à Presidência)”.

Entre os nomes cotados estão o do próprio Campos, Eduardo Sciarra (PSD-PR), José Carlos Araújo (PSD-BA), Márcio França (PSB-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG), além do ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B). A formação do bloco pode atrapalhar os planos de PT e PMDB, que no início da legislatura acertaram um rodízio no comando da Casa .

Os dois primeiros anos ficariam com o PT - que indicou o atual presidente, Marco Maia (RS) -, e os dois seguintes, com o PMDB. Henrique Eduardo Alves não é bem visto pelo Planalto, que o considera “rebelde” por ter liderado o PMDB e outros partidos a votarem contra o governo em algumas ocasiões. Foi o que aconteceu, por exemplo, na aprovação do Código Florestal , em abril.

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Porém, o nome do peemedebista teria sido chancelado pela presidenta Dilma Rousseff após costura do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que garantiu o apoio da legenda à candidatura do petista Patrus Ananias em Belo Horizonte. Depois que divergências locais levaram o PT a romper com o PSB , a aliança com o PMDB na chapa que disputa a prefeitura mineira passou a ser considerada estratégica pela presidenta

A oficialização do apoio do PT à candidatura de Alves, sob a benção de Dilma, pode acontecer já em agosto. PSB, PSD e PC do B apostam, no entanto, em dissidências dentro do PT e do próprio PMDB para emplacar a candidatura alternativa. Uma delas é a da primeira vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES). A deputada já deixou claro que deve desafiar o correligionário , embora sua candidatura não tenha ainda musculatura dentro da bancada.

Eleições municipais

Para Campos, a candidatura alternativa “pode dar uma boa mexida” no cenário da Câmara a partir do ano que vem. “Que chacoalha, chacoalha. Só não saberia dizer com qual intensidade”, reforça o líder do PSD. Ele afirma que as conversas continuam no recesso parlamentar, mas que a negociação só será retomada com força após os pleitos municipais. “São as eleições que estão recebendo mais atenção neste momento”, diz.

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