Dirceu usa depoimento de Lula e Dilma para provar inocência no mensalão

Apontado como “chefe” da quadrilha, ex-ministro nega existência do esquema de compra de apoio e também minimiza sua influência para cooptar deputados

Wilson Lima - iG São Paulo |

AE
Dirceu e 37 réus serão julgados dia 2 de agosto

Durante os depoimentos de réus e testemunhas no processo do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff negaram que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado como “chefe de quadrilha” pela Procuradoria Geral da República, tivesse adotado alguma providência que favorecesse o banco BMG, citado no esquema de pagamento de propina a parlamentares. Dirceu e outros 37 envolvidos vão ao banco dos réus no próximo dia 2 de agosto em julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Ainda de acordo com a denúncia da Procuradoria, o ex-ministro teria facilitado a entrada do banco BMG nas operações de crédito consignado para pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A instituição é apontada como credora dos empréstimos concedidos ao publicitário Marcos Valério que teriam servido para abastecer os cofres do PT para compra de apoio político de deputados da base aliada.

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A presidenta Dilma Rousseff, em depoimento prestado à Justiça, afirmou que, na época em que era ministra de Minas e Energia do governo Lula, “não teve conhecimento de que José Dirceu tenha beneficiado instituição financeira no tocante a crédito consignado”. “Acho o ex-ministro José Dirceu uma pessoa injustificada e tenho por ele grande respeito”, citou a presidenta no depoimento pró-Dirceu.

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O ex-presidente Lula foi ainda mais incisivo. Ele não somente negou a existência de qualquer influência de Dirceu no INSS, como afirmou: “Não tenho conhecimento de nenhum ato indevido”. As alegações de Dilma e Lula constam nas alegações finais de Dirceu apresentadas pelos seus advogados ao ministro do STF e relator do caso, Joaquim Barbosa, no ano passado.

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Dirceu nega na sua defesa a existência do mensalão e também de sua influência para cooptar deputados ou mesmo integrantes do próprio PT. Nas suas argumentações, o ex-ministro da Casa Civil também alega que não houve “ato de ofício” que justificasse o seu enquadramento como líder de uma quadrilha. Ele também questiona o fato da Procuradoria Geral da República não ter apontado a real participação do Dirceu no esquema do mensalão.


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