‘Eleitor de São Paulo não depende do Estado. Felizmente’, diz Edson Aparecido

Para o coordenador-geral da campanha de Serra, eleitorado paulistano se preocupa mais com o crescimento da economia. Ele nega também ter sido pivô de crise na campanha

Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

O deputado federal Edson Aparecido (PSDB-SP), coordenador geral da campanha de José Serra à prefeitura de São Paulo, avaliou, em entrevista ao iG , que o baixo crescimento da economia este ano (segundo previsões o PIB deve ficar abaixo dos 2%) pode influenciar o comportamento do eleitorado favoravelmente ao tucano.

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Agência Estado
Coordenador da campanha de Serra, Edson Aparecido não vê impacto do julgamento do mensalão na eleição

O motivo, segundo ele, é porque eleitor paulistano não depende das ações do Estado. “O eleitor daqui, bem ou mal, não depende completamente do Estado. Aqui a sociedade, a economia real, são maiores do que o Estado. Os elementos que entram no processo de decisão do eleitor de São Paulo são diferentes. Felizmente”, disse Aparecido.

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Por outro lado, Aparecido discorda de Serra, que em entrevista à revista Veja disse esperar impacto eleitoral do julgamento do mensalão. O coordenador lembrou que Lula foi reeleito em 2006 apesar do escândalo, que eclodiu em 2005.

Na entrevista o deputado reclamou ainda dos altos custos dos programas eleitorais de TV, negou ter sido pivô de uma crise na campanha serrista e considera natural o apoio do PTB, aliado do PSDB no governo estadual, à candidatura de Celso Russomanno (PRB). “Aí não tem jeito. Hoje os partidos estão na base da Dilma, na base do governador e na base do Kassab”, disse.

iG – O senhor pediu para sair da campanha de Serra?

Edson Aparecido – Não cheguei a pedir. Na realidade nós organizamos todo o período da pré-campanha. Prévias, coligações, convenção. Depois, entre a convenção e o dia 6, que era o início da campanha, eu tinha uma viagem internacional para fazer como secretário, o Encontro Mundial de Metrópoles e Cidades Sustentáveis. Eu tinha falado com o Serra que ficaria uma semana fora. Então se levantou essa história de que a gente ia sair. Hoje está tudo certo. A campanha está bem estruturada, ontem reunimos todas as áreas da campanha com todos os partidos representados.

iG – A campanha tem duas grandes forças políticas que são o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) que não são exatamente aliados. Existe alguma tensão entre essas duas forças?

EA – Não. Estas duas forças fazem parte da campanha. Na ação não tem nada. Temos uma coligação de unidade, ação única, comando único. Mas é claro que são dois partidos grandes. Que possa haver no curso da campanha disputas por posições não há problema nenhum.

iG – O apoio do PTB, que faz parte da base de Alckmin, ao Russomanno em vez de Serra não causou desentendimentos?

EA - Aí não tem jeito. Hoje os partidos estão na base da Dilma, na base do governador e na base do Kassab.

iG – Nas últimas eleições para prefeito de São Paulo Kassab gastou R$ 29,7 milhões e Alckmin R$ 19 milhões. Este ano a campanha de Serra registrou previsão de gastos de R$ 98 milhões. O que justifica este aumento de mais de três vezes no custo da campanha em apenas quatro anos?

EA – É um cálculo realista que a área financeira fez dos gastos que você pode ter no 1º e 2º turnos. Aí deu nisso. Esta campanha trata da maior cidade do país, uma eleição nacional, que tem que atingir 8 milhões de eleitores. É totalmente realista dentro do sistema que está aí. Se o sistema fosse outro teríamos um gasto extremamente menor.

iG – O que mudou nestes quatro anos para termos um aumento tão grande?

EA – É muito comum às vezes chegarmos no meio da campanha e termos aquela bendita história de pedir ao tribunal um rearranjo dos gastos. A ideia é não fazer isso, é ter uma campanha planejada para o tamanho de uma coligação que inclui cinco grandes partidos. Podemos nem alcançar este limite de gastos mas dizer que podemos chagar em um valor deste nível que envolve tudo, TV, pesquisas, rádio, material de campanha em dois turnos. A assessoria de imprensa, por exemplo, tem que lidar com quase todos os órgãos de comunicação não só da cidade, mas nacionais. E tem aquilo que o Serra já disse também (que o valor desestimula a “tentação” do caixa dois) que ter uma projeção de gastos realista estimula a que toda a campanha se dê dentro das regras estabelecidas pela lei. Não que as outras campanhas não tenham sido feitas deste jeito.

iG – Algum item de despesa aumentou tanto assim?

EA – Acho que não. Não tenho o detalhamento, mas também depende muito do cenário. É uma campanha que envolve cinco grandes partidos, 200 candidatos a vereador. Imagine o que é fazer material para 200? Internet é outra coisa que vai ter muito peso. Mas se tem uma situação de dificuldade a campanha está pronta para se adequar.

iG – O senhor fica preocupado, pensando no futuro, com esta escalada de custo das campanhas?

EA – Preocupa. Isso não dá. Hoje a campanha no rádio e TV é uma produção hollywoodiana. Não dá. O Mario Covas tinha uma tese extremamente importante. TV e Rádio deveria ser uma cadeirinha, o candidato vai lá, senta e fala o que fez e o que vai fazer. Hoje não. O candidato vai lá e faz uma produção cinematográfica e você não tem como não acompanhar. O padrão nosso, do eleitor brasileiro, é de uma televisão de qualidade. Evidentemente o que vai ter que se discutir é a mudança da legislação. Uma hora vai ter que ser discutido. Todo mundo está dizendo isso. As forças políticas do Brasil vá ter que sentar e discutir o financiamento público de campanha. Não tem jeito. Do jeito que está as campanhas ficarão inviáveis.

iG – A crise financeira pode atrapalhar a arrecadação de recursos?

EA – Este trabalho não começou ainda. Não dá pra dizer qual vai ser o ritmo. Isso é outro problema. O comportamento das arrecadações vai se dando ao longo da campanha. As pessoas (doadores) esperam, aí começa a campanha na TV, aí em setembro o cenário mostra que a eleição está caminhando para cá e as pessoas vem pra cá. Tem muito isso.

iG – O senhor está dizendo que as pesquisas influenciam as doações?

EA - Influencia.

iG – O crescimento do PIB abaixo de anos anteriores vai influenciar o resultado eleitoral?

EA – Se há algum eleitor que se impacta com isso por ser mais politizado e consciente é o eleitor de São Paulo. É evidente que esta questão pode se inserir muito mais cedo em São Paulo do que em outras regiões do país. O eleitor daqui, bem ou mal, não depende completamente do Estado. Aqui a sociedade, a economia real, são maiores do que o Estado. Os elementos que entram no processo de decisão do eleitor de São Paulo são diferentes. Felizmente.

iG – O julgamento do mensalão também pode ter impacto eleitoral?

EA – Sim. O eleitor de São Paulo é crítico, bem informado. No entanto, este fato ocorreu no meio de uma campanha presidencial e o presidente Lula se reelegeu.

iG – Por outro lado o PSDB é a vidraça na CPI do Cachoeira. Isso pode prejudicar o partido nas eleições?

EA – Mas aí existe claramente uma tentativa do PT no plano nacional de usar essa CPI como tentativa de desviar o impacto que vai ter o julgamento do mensalão. CPI tem que apurar todo mundo. Só está apurando Goiás. E Brasília? E o Rio de Janeiro?

iG – Qual sua opinião sobre o posicionamento da cúpula do PSDB em defesa do governador Marconi Perillo?

EA – É importante. Eu estava lá em Brasília segunda-feira quando o partido discutia isso. O Perillo é um quadro do partido. Foi eleito e reeleito. Está prestando contas de tudo o que aconteceu. Ele tem que fazer e está fazendo isso. Depois a CPI e a sociedade vão julgar mas ele tem feito este papel. O que não pode é o PT de forma deliberada fazer um pré-julgamento.

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