Serra sobe o tom e fala em 'factoides' e 'violência' do PT

Em encontro com candidatos a vereador, tucano criticou 'tropa de choque na internet', disse que o PT não é esquerda e copia seus programas e negou afastamento da campanha nos últimos dias

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra , subiu o tom das críticas ao PT durante sua participação no curso de liderança política aos candidatos a vereador da coligação, nesta sexta-feira (20), na sede do Diretório Estadual dos tucanos, na zona sul da capital paulista. Ele chegou ao local por volta das 14h40 e foi embora uma hora depois. Na conversa com os postulantes de PSDB, PSD, DEM, PR e PV às vagas da Câmara Municipal, Serra afirmou que os petistas são "especialistas em fazer factoides" e também em atos violentos durante as campanhas eleitorais.

Leia mais: Serra usará panfletos pró-governo de São Paulo contra má avaliação de Kassab

Entrevista ao iG: Vice de Serra nega ‘missão’ de atacar adversários na campanha

Divulgação
Candidato tucano afirma que petistas são 'especialistas em fazer factoides'

"Eles são especialistas em fazer factoides. Nesta semana, teve um sobre pedágio urbano. Vieram com a história de que o governo do Estado ia fazer pedágios por quilômetro rodado e também que criaríamos o pedágio urbano. Não tem o menor fundamento", afirmou. "Além disso, já fizeram espionagem e dossiês. E pancadaria. São especialistas nisso. O troço é violência e montar factoides. Eles têm habilidade nisso. Estou apenas recapitulando. É sempre bom a gente relembrar os fatos que estão postos. Desde 2002, a única campanha em que não teve esse tipo de baixaria foi em 2004, quando disputei com a Marta [Suplicy, então prefeita e candidata à reeleição]."

Especial iG: Acompanhe as notícias sobre as eleições municipais em todo o País

Serra foi questionado sobre as críticas de lideranças do PT aos militantes do PSDB que levantaram cartazes contra o ex-ministro da Educação Fernando Haddad , durante caminhada do petista em São Paulo, e o cobraram a respeito da greve nas universidades federais do País. O coordenador da campanha de Haddad, vereador Antonio Donato, classificou esse comportamento dos tucanos de "fascista". "Quando alguns nossos levantam uma cartolina, o próprio PSDB fala: 'Que feio', 'Não pode'", alfinetou Serra em crítica velada à reação do próprio partido ao episódio. "O problema deles [petistas] não é a cartolina, é a violência." O ex-governador também criticou o que chamou de "jogo sujo da internet", "blogs sujos" e "petistas disfarçados" em manifestações. "É uma tropa de choque", apontou.

Leia também: Haddad se concentra em redutos petistas, e Serra busca novo eleitor

Durante o discurso aos candidatos a vereador de sua coligação, Serra ainda aproveitou para alfinetar a presidenta Dilma Rousseff e afirmou que o PT "passa a mão" em algumas de suas propostas. "Ficam o tempo todo vendo o que eu falo e vão aprendendo. Isso é inevitável. Temos adversários aí que não têm muitas ideias e passam a mão mesmo. Nós tínhamos o programa Mãe Brasileira, uma extensão do Mãe Paulista. Depois de 15 dias nos site, a Dilma lançou o Mãe Cegonha. Mas a cegonha ainda não saiu do lugar, não chocou o ovo", ironizou.

Serra voltou a assumir de forma enfática a defesa do período em que esteve à frente da Prefeitura e também da gestão do aliado Gilberto Kassab (PSD), atual prefeito e que indicou o vice em sua chapa, o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider. "Tivemos três períodos de oito anos mais recentes em São Paulo: Maluf/Pitta, Erundina/Marta e Serra/Kassab. E 90% das coisas que foram feitas no nosso período foram fixadas no começo da minha gestão. Isso não é crítica nenhuma, é um elogio. Nossa gestão não têm paralelo com os outros 16 anos. Não dá nem para comparar."

Ainda no campo de críticas ao PT, o candidato do PSDB afirmou que o comportamento dos adversários no governo federal não é de um partido de esquerda. "Essa história de que o PT de esquerda, é progressista, é pura conversa. Não tem nada a ver", afirmou.

O ex-governador negou que tenha se afastado dos compromissos de campanha nos últimos dias para se poupar. "Eu não fiquei recolhido, não. Fiz coisas internas da campanha e fui para a rua. Sem aparato, sem jornalistas, do jeito que eu gosto. É na conversa que a gente vê quais são os problemas da cidade", disse o tucano.

Novo apelo à união

Depois de enfrentar racha entre aliados e uma crise às vésperas da definição do vice em sua chapa, com rebelião de parte do Diretório Municipal do PSDB, que queria indicar um nome do partido para a vaga, Serra voltou a pregar união interna em seu discurso. "Não existe divisão. O que tem são dois ou três 'hortelões', aqueles que plantam na horta, plantando informações aqui e ali. Vamos estar unidos nesta campanha. Estamos fazendo campanha para ganharmos juntos e governarmos juntos", afirmou. "O que temos que fazer? Procurar voto, ao invés de um candidato ficar dando cotovelada no outro. Isso toma tempo, dá desgaste e não adianta nada. Tem que ficar em cima do eleitor, e não do supostamente concorrente dentro da mesma legenda."

Após sua participação no curso realizado no diretório do PSDB-SP, Serra seguiu para a zona leste, onde deve gravar inserções para a propaganda na televisão. Mais cedo, o vice na chapa, Alexandre Schneider (PSD), também marcou presença no evento. O prefeito Gilberto Kassab (PSD), que discursaria na abertura do encontro, não compareceu. Para o encerramento, é esperada a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG