Manual do PSDB pede críticas ao PT e diz que ‘gracinha não ganha eleição’

Em material entregue aos postulantes a vereador, tucanos pedem defesa do legado de FHC e alertam: nada substitui o 'aperto de mão' e a 'sola do sapato'

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

A sede do Diretório Estadual do PSDB-SP abrigou nesta sexta-feira (20), das 9h às 18h, um curso de liderança política destinado aos candidatos a vereador da coligação que sustenta a candidatura do ex-governador José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, formada por PSDB, PSD, DEM, PR e PV. Logo na entrada, cada um dos postulantes às vagas na Câmara Municipal recebeu um livreto de 66 páginas, o Manual do Candidato, com as instruções do partido para a campanha eleitoral.

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Além de orientações das principais lideranças do PSDB em nível nacional, como o presidente nacional da legenda, Sérgio Guerra (PE), o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), e o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), os candidatos tucanos a vereador nas eleições de outubro encontram no manual algumas “dicas” estratégicas para que fiquem mais próximos da vitória. Ao menos na avaliação do PSDB.

Na página 53, por exemplo, há uma seção destinada ao relacionamento com a imprensa. Segundo o livro, “durante o período eleitoral, uma ação útil para o candidato é transformar-se em fonte para a imprensa”. “Os veículos precisam de gente para entrevistar; busque, então, ser essa pessoa”, diz o texto.

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Na mesma página, o PSDB lembra aos candidatos que faz oposição em nível federal ao governo do PT. “Que tal falar com a imprensa local sobre os problemas do governo de Dilma Rousseff? Ou destacar a importância de Fernando Henrique Cardoso para o país, ou ainda enaltecer o bom trabalho desempenhado pelos nossos oito governadores e dezenas de congressistas?”, questiona o manual tucano. Na página 18, há uma tabela comparativa entre os governos FHC e Lula em vários tópicos, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), redução da mortalidade infantil, expansão das linhas telefônicas, diminuição do número de jovens fora da escola, índice de alfabetização, salário mínimo, entre outros.

Sem 'gracinha'

Ainda de acordo com o manual do PSDB, em dica estampada em destaque na página 43, “gracinha não ganha eleição”. O texto lembra da eleição do deputado federal Tiririca (PR) em 2010 com o lema “Vote Tiririca: pior que tá, não fica!” e faz um alerta aos candidatos a vereador. “A vitória de Tiririca é exceção. A cada eleição, há centenas de candidatos que apostam no ridículo para cativar o eleitorado e acabam se tornando apenas figuras folclóricas, e não recebendo votos”.

Apesar do alerta sobre Tiririca, a coligação que apoia Serra e o PSDB aposta em algumas “celebridades” em suas candidaturas a vereador em 2012. Uma delas é o ex-participante do reality show Big Brother Brasil (BBB) Serginho "Orgastic", candidato a vereador pelo PSD, que marcou presença no evento desta sexta e se mostrou disposto a aprender sobre os meandros da política. “É um começo ainda. Eu tenho que aprender bastante, é tudo muito novo para mim”, disse ao iG . “Esse mundo da política é muito complicado. Mas eu estou estudando bastante e aprendo fácil.”

O curso aos candidatos a vereador teve início por volta das 9h. Pela manhã, falaram o vice da chapa de Serra, o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSD), e o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD). Serra chegou por volta das 14h40 e foi embora às 15h40, após fazer o seu discurso . “Para ter um rendimento efetivo na Prefeitura, precisamos fazer uma boa bancada na Câmara. E não adianta ficar achando que TV é suficiente para ganhar a eleição, até porque a exposição é muito pequena e as pessoas em geral não prestam muita atenção”, afirmou Serra, que costuma dizer que os candidatos a vereador são fundamentais porque ajudam a “soprar” junto aos eleitores. “Eleição é sopro”, é uma das frases preferidas do tucano.

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Além dos discursos, os postulantes às vagas na Câmara dos Vereadores assistiram a palestras sobre temas como marketing eleitoral, uso das redes sociais na campanha, abordagem ao eleitor, entre outros – todos eles também constam no manual. O deputado estadual Orlando Morando (PSDB) também falou aos presentes e os aconselhou a ir para a rua e não esquecer do contato direto com a população.”Nada substitui o aperto de mão ou a sola de sapato”, disse.

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