Prefeitos do PSDB recebem mais verbas para creches em São Paulo

Dos 155 municípios que receberam as verbas, 66 são comandados por tucanos; governo nega ligação política em relação aos repasses

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O programa estadual que já repassou cerca de R$ 310 milhões para as prefeituras construírem creches tem atendido mais municípios administrados pelo PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin . Levantamento feito pela reportagem com base em dados oficiais mostra que, dos 155 municípios paulistas que já receberam as verbas, 66 (ou seja, 43% do total) têm prefeitos tucanos. O PSDB controla 32% das 645 cidades do Estado.

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Governo Alckmin nega qualquer relação política com os repasses


Outras siglas que fazem parte da bancada de apoio de Alckmin na Assembleia Legislativa também receberam, proporcionalmente, mais verbas para creches. É o caso do PTB e do PSB. O primeiro está na quarta posição no ranking dos partidos com mais prefeituras em São Paulo, com 9%. Mesmo assim, é o segundo que mais recebeu verbas do governo estadual: 10% das cidades que já ganharam os recursos são controladas pelo PTB.

Em relação ao PSB, sigla que só deixou de apoiar o candidato do PSDB José Serra na eleição para a capital paulista por causa da intervenção do diretório nacional, próximo da presidenta Dilma Rousseff (PT), os porcentuais são de 4% e 5%, respectivamente. O PTB também é aliado do PT em nível nacional, mas apoia Alckmin no Estado de São Paulo.

Por outro lado, partidos como o PT e o PMDB receberam menos verba que sua representação proporcional nas prefeituras paulistas. Os petistas controlam 10% dos municípios, mas suas cidades representam apenas 7% das que ganharam verbas para creches. Já os peemedebistas, que administram 11% das prefeituras de São Paulo, são responsáveis por somente 8% das cidades que já assinaram os convênios com o governo estadual.

'Simplismo'

O Palácio dos Bandeirantes nega haver qualquer ligação política em relação aos repasses. Segundo nota enviada pela assessoria, qualquer interpretação desse tipo é simplista e equivocada. O governo afirma que todos os municípios paulistas têm a possibilidade de receber creches a partir desses convênios, já que mil novas unidades estão previstas para serem construídas até 2014, ao custo total de R$ 1 bilhão.

Segundo a administração estadual, 417 cidades já assinaram os termos de adesão e, portanto, têm as verbas asseguradas. A proporção desses municípios controlada por cada partido é similar ao total do Estado: 31,8% do PSDB, 11,2% do DEM, 11,2% do PT e 8,8% do PTB.

Os 155 já receberam as verbas apenas porque teriam sido os primeiros a arcar com as contrapartidas exigidas pelo Estado, como o terreno de pelo menos 2 mil m² conectado às redes de água, esgoto, luz e telefone. Além disso, a seleção e a ordem dos municípios que recebem os recursos são definidas por critérios sociais e econômicos - os com estatísticas mais vulneráveis recebem as verbas primeiro.

Oposição

O presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo, Simão Pedro (PT), discorda dos argumentos do governo. "Na política, não existe coincidência. É escancarado o uso da máquina e dos recursos públicos para apoiar prefeituras tucanas. É algo recorrente e que não se resume à educação", afirmou.

De acordo com ele, a liberação de verbas no primeiro semestre cria a possibilidade de se começar as obras antes das eleições, o que pode favorecer os prefeitos que já assinaram os convênios. "Outro problema do programa é a falta de verbas para manter as creches, já que muitas cidades menores não têm como arcar com esses custos", disse. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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