Vice-presidente da CPI do Cachoeira defende indiciamento de Marconi Perillo

Segundo investigação da Polícia Federal publicada pela revista "Época", governador de Goiás teria ligações ilícitas com a construtora Delta intermediadas por Carlinhos Cachoeira

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O vice-presidente da CPI do Cachoeira, o deputado petista Paulo Teixeira (SP), defendeu o indiciamento do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, por envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Um relatório da Polícia Federal, publicado pela revista "Época" neste fim de semana, diz que Perillo firmou um "compromisso" com a Delta Construções , assim que assumiu o cargo, no ano passado. O acordo contava, diz a PF, com a intermediação de Cachoeira.

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O acerto incluiria a liberação de créditos milionários da empreiteira com o governo goiano mediante suposto pagamento de propina a Perillo. O primeiro "compromisso", segundo a reportagem, teria sido a compra da casa do governador de Goiás pelo contraventor.

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O governador de Goiás, Marconi Perillo

"Fechou o cerco. O relatório da Polícia Federal é a prova cabal de que a venda da casa foi para Cachoeira, foi pago com dinheiro da Delta e que houve uma vinculação entre os pagamentos de créditos para a empreiteira e a quitação das parcelas pela casa", afirmou Teixeira.

Questionado sobre por quais crimes o governador de Goiás poderia ter o indiciamento sugerido pela comissão, Paulo Teixeira, que também foi líder do PT na Câmara, disse que não é possível saber agora. "Tem muitos tipos penais que ele será enquadrado", afirmou. A CPI tem prazo para encerrar os trabalhos em novembro, caso não seja prorrogada. Suas conclusões serão remetidas para o Ministério Público, que poderá, ou não, acatá-las.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), preferiu não comentar a sugestão feita pelo colega de partido sobre o indiciamento de Perillo. "Nós falamos em lugares diferentes: não vou antecipar minha opinião a respeito do relatório final", disse. "Os fatos são conhecidos da CPI. A novidade é que a Polícia Federal se manifesta na linha de estabelecer os vínculos do governador com a organização criminosa", completou.

Para Cunha, os fatos reforçam o que ele já disse do governador: que Marconi "mentiu" à CPI sobre a venda da casa. No final de junho, o relator da comissão disse que a "história da casa" foi montada para negar a relação de Perillo com Cachoeira. Embora tenha admitido que Perillo "mentiu" à CPI, Cunha também não quis revelar se pedirá o indiciamento do governador por crime de perjúrio (falso testemunho) ao final dos trabalhos.

Em depoimento à comissão no dia 12 de junho, Perillo negou saber quem havia comprado a casa, tendo transferido toda a responsabilidade pela negociação ao ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB). Na ocasião, o governador rebateu a suposição de que seria ligado a Cachoeira ou à Delta. A reportagem procurou mas não localizou no domingo o advogado de Perillo, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que é quem fala pelo governador. A informação é de que Kakay tirou uns dias de férias depois da cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO), outro cliente seu.

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Teixeira afirmou ainda que o governador tem de ser reconvocado para depor em agosto. Nesta segunda-feira, o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) deve apresentar um requerimento para chamar novamente Perillo à comissão. Odiar Cunha, por sua vez, acredita que o melhor seria convocá-lo quando se encerrarem as apurações. "Eu admito a hipótese de reconvocação, mas é preciso que aprofundemos a investigação", declarou.

Os dois petistas disseram que a CPI poderá ter acesso ao relatório da PF, remetido para instruir o inquérito contra Perillo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem a necessidade de aprovar um requerimento específico para isso. A comissão, afirmaram, já havia decidido que todo material da polícia sobre a Operação Monte Carlo, que desbaratou o esquema de Cachoeira, tem de ser compartilhado com ela.

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