Teto de gastos de campanha em Fortaleza cresceu 50% em quatro anos

Embora a previsão dos dez candidatos à Prefeitura seja de R$ 60 milhões, partidos esperam arrecadação bem menor

Daniel Aderaldo - iG Ceará |

As campanhas dos dez candidatos à Prefeitura de Fortaleza podem custar R$ 60 milhões, ao todo. Comparada com 2008, a soma dos tetos de gastos declarados pelos partidos à Justiça eleitoral é 50% maior nestas eleições.

Embora anuncie uma campanha “modesta”, o candidato do PSDB, Marcos Cals, fixou o maior teto de gastos entre os postulantes na capital cearense: R$ 17 milhões. Sem candidatura própria na cidade desde 1996, os tucanos dizem estar sem parâmetros. “Não tínhamos noção de quanto deveríamos gastar”, disse Cals ao iG .

A solução, explicou, foi fechar uma conta superestimada. O tucano, entretanto, acredita em uma arrecadação acanhada. “Fiz a previsão. Se entrar, está dentro. Mas pode entrar só um milhão."

Daniel Aderaldo/iG
PSB tem o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Roberto Cláudio, como candidato

Na sequência das campanhas milionárias, estão os candidatos apoiados pelo governador Cid Gomes (PSB) e pela prefeita Luizianne Lins (PT), respectivamente. A campanha do socialista Roberto Cláudio pode chegar a R$ 14 milhões. Já a do petista Elmano de Freitas , R$ 11,5 milhões.

Caso consiga arrecadar o montante previsto, Freitas terá nesta campanha uma situação bem mais confortável do que a enfrentada por Luizianne em 2004, quando ela saiu vitoriosa no pleito gastando pouco mais de R$ 1 milhão de reais e sem o apoio da cúpula nacional do PT. Em 2008, a prefeita investiu R$ 4,7 milhões para se reeleger. O teto era o dobro, mas a eleição foi decidida ainda no primeiro turno.

Outras três candidaturas fecham a casa do milhão: Heitor Férrer (PDT) , com teto de R$ 7 milhões; Moroni Torgan (DEM) , R$ 5 milhões, e Inácio Arruda (PCdoB), R$ 4 milhões.

Fundador do PDT no Ceará e experiente na coordenação de várias campanhas em eleições majoritárias e proporcionais, Flávio Torres afirmou à reportagem ser difícil prever quanto vai custar uma campanha e, como Cals, disse não crer que vai arrecadar R$ 7 milhões para a candidatura de Férrer. “Não temos previsão de gastar isso, mas a gente tem de chutar alto, caso a eleição polarize e o nosso apoio aumente”.

Torres coordenou em 2008 a campanha para prefeitura de Fortaleza da então senadora Patrícia Saboia (PTD). A pedetista contava com o apoio de seu ex-marido, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB). A previsão de gastos dela foi de R$ 8,5 milhões e a arrecadação foi de R$ 4,2 milhões.

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Heitor Férrer (esq) foi oficializado candidato ao lado de seu vice, Alexandre Pereira (dir)

Os showmícios, outdoors e a distribuição de brindes foram banidos das campanhas a partir de 2006 sob o pretexto de reduzir os gastos milionários da corrida eleitoral. Para o candidato do PSOL, Renato Roseno, no entanto, os recursos acabaram sendo redirecionados para produções de televisão e rádio.

Com um teto R$ 300 mil, Roseno disponibiliza em seu site oficial o extrato bancário com todo movimento financeiro da campanha: o que entra e o que sai. Ele considerou “absurdo” os valores milionários das campanhas de seus adversários. Em conversa com o iG , criticou os “grandes espetáculos publicitários” promovidos pelos marqueteiros políticos.

A candidatura de André Ramos (PPL) tem o teto de R$ 750 mil, a de Valdeci Cunha (PRTB), R$ 100 mil e a de Francisco Gonzaga (PSTU), R$ 70 mil.

Comparativo

Apesar do crescimento de 50%, o total da previsão de gastos das dez candidaturas da capital cearense corresponde a 61% do que somente o candidato do PSDB em São Paulo, José Serra, pode investir para voltar a ser prefeito da maior cidade do País. O teto do orçamento do tucano é de R$ 98 milhões.

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