Ministério Público de Goiás inicia investigação contra Demóstenes Torres

O ex-senador retornou ao cargo de Procurador de Justiça nesta quinta-feira; procedimento da corregedoria tem caráter sigiloso, segundo o órgão

Wilson Lima - iG Brasília | - Atualizada às

A Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás (MP-GO) instaurou procedimento disciplinar contra o agora ex-senador Demóstenes Torres, que voltou nesta quinta-feira a exercer cargo como procurador de Justiça após ser cassado por elo com o bicheiro Carlos Cachoeira . A Corregedoria quer investigar eventual “infringência funcional, decorrente dos fatos trazidos a lume pela chamada Operação Monte Carlo”.

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Segundo nota oficial divulgada pelo Ministério Público Goiano, o procedimento tem caráter sigiloso. Já foram solicitados documentos ao Senado Federal e à Procuradoria Geral da República (PRG) sobre as ligações de Demóstenes com Cachoeira. Não foram divulgados prazos para o encerramento das investigações da corregedoria do MP. Além de Demóstenes, o seu irmão, o procurador-geral de Justiça Benedito Torres Neto, também é alvo de uma investigação sob suspeita de ligações com o grupo de Carlinhos Cachoeira.

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Durante a investigação, deve ser apurada não somente o nível de relação entre o ex-senador e o bicheiro, como também o tempo em que se estabeleceu os primeiros contatos entre os dois. Demóstenes é membro do Ministério Público goiano desde 11 de maio de 1987 e está licenciado desde 1999. Segundo investigações do Ministério Público de Goiás, Carlinhos Cachoeira atuava no ramo de jogos de azar há pelo menos 30 anos.

Demóstenes reassumiu nesta quinta-feira suas funções como procurador de Justiça da 27ª promotoria criminal, responsável por apurar crimes contra a vida, contra a honra e também relacionados ao crime organizado. Após reassumir o posto como membro efetivo do Ministério Público de Goiás, a investigação que transcorre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) seguirá para o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), foro de competência para tramitação de ações contra procuradores de Justiça no Estado.

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Como investigador, Demóstenes Torres tem direito a um salário de R$ 22 mil. Também existe a possibilidade de que o ex-senador ingresse com um requerimento pedindo o pagamento de licenças-prêmio, direitos obtidos pelos procuradores a cada cinco anos de trabalho. No entanto, não houve até o momento requerimento para a obtenção desse benefício. E a decisão caberá à Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Administrativos do MP-GO. O procurador-geral de Justiça, Benedito Torres Neto, é impedido legalmente de analisar qualquer formulação apresentada por Demóstenes Torres, segundo o MP-GO.

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