'Não é agradável para ninguém', diz Sarney sobre caso Demóstenes

Senador alvo de cassação é o primeiro a chegar à sessão que definirá seu futuro político; ele é acusado de usar seu mandato em favor do contraventor Carlinhos Cachoeira

iG São Paulo | - Atualizada às

Ao chegar à sessão que definiu o futuro político do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) , o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), afirmou que "não é agradável pra ninguém" participar da votação que pode cassar um colega da Casa.

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Agência Senado
Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) foi o primeiro a chegar à sessão no plenário do Senado, onde ocorrerá votação sobre seu destino político


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Acusado de ter quebrado o decoro por manter relações estreitas com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso desde 29 de fevereiro sob a suspeita de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais, o senador teve seu mandato cassado por 56 votos a 19 . Cinco senadores se abstiveram da votação.

"Temos que tratar da cassação de um senador. É sempre uma sessão que não é agradável para ninguém. Mas temos que cumprir com nosso dever", disse Sarney ao chegar ao plenário.

Questionado se o julgamento é ruim para a imagem do Senado, o presidente da Casa respondeu: "Ruim? A instituição está mostrando que funcionam seus mecanismos de controle e decoro parlamentar", afirmou.

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Acompanhado de seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o senador Demóstenes Torres foi o primeiro a chegar à sessão.

A última vez que o plenário decidiu processo em que esteve em jogo um mandato foi em 2007, quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi absolvido pelos colegas.

Até agora, o único senador que havia sido cassado pela Casa foi Luiz Estevão, do Distrito Federal, em 2000. Ele foi acusado de envolvimento no desvio de verbas na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

O caminho até a votação

No final de março, o PSOL entrou com uma representação contra o senador e o Conselho de Ética do Senado abriu processo contra ele por quebra de decoro parlamentar.

Em depoimento de cinco horas ao conselho , o senador negou ter usado seu mandato a serviço de Cachoeira. Mesmo assim, o Conselho de Ética votou com o relator do processo, Humberto Costa (PT-PE), e aprovou a cassação de Demóstenes .

Na semana seguinte, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado confirmou a legalidade do processo do Conselho de Ética contra Demóstenes e aprovou a votação em plenário, que ocorre nesta quarta-feira.

Com Agência Senado

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