Órgão informou que vai aguardar concretizaçãodo retorno do senador ao cargo de procurador de Justiça; ele está licenciado desde 1999

A Corregedoria do Ministério Público de Goiás (MP-GO) já estuda instaurar um procedimento disciplinar para apurar eventual falta funcional contra agora ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) . Demóstenes é membro do Ministério Público goiano desde 11 de maio de 1987 e está licenciado desde 1999.

Demóstenes Torres também terá sua atuação como procurador questionada
Alan Sampaio / iG Brasília
Demóstenes Torres também terá sua atuação como procurador questionada

O órgão, no entanto, afirmou que somente adotará qualquer providência após a publicação da decisão do Senado desta quarta-feira e concretização do retorno do ex-senador ao MP. Demóstenes teve seu mandato cassado nesta quarta-feira, por 56 votos a 19. Os parlamentares entenderam que Demóstenes quebrou o decoro parlamentar ao manter relações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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Hoje, conforme o MP-GO não há impedimento legal para que Demóstenes volte a ser procurador de Justiça, apesar da ligação de seu nome com Carlinhos Cachoeira.

Caso Demóstenes Torres opte por voltar a ser procurador de Justiça, ele não precisa requerer o retorno ao procurador de Justiça do MP-GO, o seu irmão Benedito Torres Neto. Antes de se licenciar, Demóstenes era titular da 27ª Procuradoria de Justiça do MP-GO, com atribuição criminal. Hoje, se ele voltasse à função, o ex-senador receberia salário de R$ 22 mil. Assim que a sua cassação for publicada no Diário Oficial do Senado, Demóstenes Torres perde o direito à licença autorizada pelo Conselho Superior do Ministério Público de Goiás.

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Segundo o MP-GO, até o momento não existe procedimento instaurado a respeito das acusações que levaram a sua cassação no senado. Isso porque, até agora, foram levantadas suspeitas apenas da atuação dele como parlamentar, não como membro do Ministério Público.

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O irmão de Demóstenes, Benedito Torres, é alvo de procedimento investigatório no âmbito da Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás. O órgão também investiga a suposta relação do procurador-geral com o grupo de Carlinhos Cachoeira. Conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça flagraram o ex-senador Demóstenes Torres tentando interferir em ações do MP-GO por intermédio de seu irmão. Benedito Torres também é investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Ação

Agora, com a perda de mandado de senador, Demóstenes Torres não será mais julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura as relações dele como Carlinhos Cachoeira, cujo relator é o ministro Ricardo Lewandowski. O caso agora volta para o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) por se tratar de ação contra procurador de Justiça.

Se eventualmente, ele perder o vínculo com o MP-GO, Demóstenes passará a ser julgado pela Justiça Federal de Goiás.

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