Na véspera de julgamento, Demóstenes se diz 'sobrevivente de uma atrocidade'

Senador, que terá seu futuro decidido nesta quarta-feira pelos colegas, voltou à tribuna pela sétima vez em oito dias e fez questão de demonstrar confiança em sua vitória na votação

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Na véspera de ser julgado pelo plenário do Senado, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) subiu novamente à tribuna, pela sétima vez desde o último dia 2, para reafirmar inocência. O partlamentar tentou sensibilizar os colegas dizendo que o Senado decidirá nesta quarta-feira (11) se "qualquer um de seus integrantes terá de ser eliminado para atender a sanha acusatória".

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Apesar do clima político existente na Casa favorável à cassação do seu mandato, Demóstenes falou como se acreditasse na absolvição. Chegou a apresentar propostas que pretende defender. "Vou continuar no Senado trabalhando intensamente pela implantação do ensino em tempo integral em todas as escolas, um percentual mínimo constitucional para a Educação, a defesa dos recursos hídricos e a estabilidade política e jurídica de nossa democracia."

O ex-integrante do DEM disse ainda que tem muito a contribuir com o Senado e vai estudar para aprimorar a elaboração de projetos. "Agora sobrevivente de uma atrocidade sem precedentes, me sinto mais maduro para legislar", afirmou.

Agência Senado
O senador Demóstenes Torres, que terá seu futuro decidido nesta quarta, foi à tribuna pela sétima vez em oito dias

No discurso desta tarde, o senador disse que na quarta, quando for votado o pedido de cassação do seu mandato por suposta quebra de decoro parlamentar, o Senado estará decidindo o futuro da Casa. "Se de insegurança jurídica, em que qualquer de seus integrantes terá de ser eliminado para atender a sanha acusatória, ou um amanhã justo, respeitando-se os direitos dos representados, sem pressa."

Demóstenes declarou "constrangimento" de circular entre os colegas sem ter conseguido explicar a cada um que não merece o "infortúnio" e é inocente. E afirmou estar vivendo "dias de morte em vida".

O Conselho de Ética do Senado aprovou pedido de cassação do mandato do senador pela revelação de sua ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de exploração ilegal de jogos de azar. O senador afirmou que no processo não há "uma só prova, um só fato que caracterize quebra de decoro".

Demóstenes disse chegar à véspera da votação com a cabeça erguida e confiante. "O Senado vai optar pelo devido processo legal, sem pressão, em julgamento baseado em provas, não em campanhas de danos contra senadores. O Senado vai entender que o julgamento é político, ou, nas palavras do Supremo Tribunal Federal, o processo é administrativo-parlamentar, mas mesmo um julgamento político tem de ser justo, baseado em provas, não em provações, sustentado em fatos, não em ilações. E não há nesse processo uma só prova, um só fato que caracterize quebra de decoro parlamentar."

Na votação desta quarta-feira, Demóstenes perderá o mandato se 41 senadores votarem contra ele. 

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