Defesa de Demóstenes faz 'dossiê' para tentar evitar cassação

Intitulado de ‘Memorial’, calhamaço de 180 páginas distribuído aos 80 senadores rebate acusação de ligação com Cachoeira e invoca até Martin Luther King

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Fred Raposo/iG Brasília
"Memorial" elaborado pela defesa do senador Demóstenes Torres é tentativa de sensibilizar colegas a votarem contra cassação do mandato

A defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) elaborou um "dossiê" para rebater acusações de ligação do parlamentar com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira . O calhamaço de 180 páginas está sendo distribuído esta terça-feira – véspera da votação da cassação do mandato de Demóstenes no plenário – pela assessoria do goiano a cada um dos 80 senadores.

Intitulado de “Memorial”, o documento vem acompanhado de um bilhete personalizado e assinado pelo advogado de Demóstenes Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. As 32 primeiras páginas do “dossiê”, impressas em papel grosso e timbrado da firma de Kakay, contêm um resumo da defesa do parlamentar.

Nas últimas semanas, Demóstenes tem reclamado de não ter conseguido se explicar aos demais parlamentares. Assim, vem discursando diariamente na tribuna do Senado, onde apresenta seus argumentos para evitar a cassação. O material distribuído aos parlamentares é encarado como uma das últimas tentativas do senador de sensibilizar os colegas.

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Este intuito fica expresso logo na capa do “Memorial”. Nela, a defesa invoca citações do reverendo Martin Luther King, expoente do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e do poeta português Fernando Pessoa. “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”, diz a reprodução de uma frase de King.

De Pessoa: "Ergo-me da cadeira com um esforço monstruoso, mas tenho a impressão de que levo a cadeira comigo, e que é mais pesada, porque é a cadeira do subjetivismo". O documento é dividido em tópicos, que incluem desde uma introdução do caso Cachoeira, até uma defesa ponto-a-ponto das acusações contra Demóstenes.

Um dos itens é intitulado: “A tentativa de destruição de um senador da República”, no qual os advogados atribuem as acusações a uma campanha da imprensa contra o parlamentar. A defesa aborda temas polêmicos da relação entre Demóstenes e Cachoeira. Admite, por exemplo, que o senador tinha um “amigo” no contraventor, a quem afirma, na época, ter considerado ser apenas mais um “empresário” de Goiás.

“Após a deflagração da Operação Monte Carlo é fácil julgá-lo por isso”, escrevem os advogados. O documento rebate, porém, as acusações usadas contra Demóstenes no Conselho de Ética do Senado relacionadas ao recebimento de presentes dados por Cachoeira, entre eles um Nextel, uma geladeira e um fogão. Apenas os utensílios de cozinha, importados, teriam custado US$ 27 mil. Demóstenes nega ter tido conhecimento do valor dos bens.

“A boa educação manda não perguntar o preço dos presentes”, afirma o texto. O “dossiê” inclui ainda reprodução das 94 páginas da defesa apresentada por Demóstenes no Conselho de Ética, e rebate reportagens que considera equivocadas. O documento termina com um apelo dos advogados aos parlamentares: “Votem de acordo com o seu mais íntimo sentimento de Justiça e rejeitem a cassação de Demóstenes”.

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