PSD intervém em Belo Horizonte, exige apoio ao PT e abre guerra no partido

Na Justiça Eleitoral, sigla faz parte de duas coligações: a do socialista Lacerda e a do petista Patrus; Kassab mandou intervir em favor do PT e 'guerra' piora na capital mineira

iG São Paulo | - Atualizada às

O PSD, partido criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab , está em pé de guerra em Belo Horizonte e a briga pode piorar com a intervenção nacional para que a sigla faça campanha para o petista Patrus Ananias, e não para o atual prefeito Márcio Lacerda , do PSB, que fechou aliança com o PSDB de Aécio Neves . A confusão é tanta que o PSD, na Justiça Eleitoral, consta nos pedidos de registros das duas candidaturas, do PT e do PSB. Quem ficar com o PSD na coligação ganha 2 minutos e 2 segundos de espaço no horário eleitoral gratuito nas rádios e TVs.

Belo Horizonte:  'Fator Aécio' traz reviravolta e joga 2014 na disputa

Leia mais: Cabos eleitorais de 'Aécio presidente' se unem contra Lacerda em BH

Nilton Fukuda/AE
Kassab intervém em BH por apoio ao PT

Mas Kassab aceitou o pedido do presidente estadual do PSD mineiro, Paulo Simão, e mandou intervir no diretório municipal. Com isso, uma comissão interventora recebeu poderes para deliberar sobre as eleições 2012. A decisão sofre resistências internas. "Rechaçamos veementemente qualquer interferência de outros estados nas decisões de Minas", afirmou o secretário de Estado Extraordinário de Gestão Metropolitana, o deputado federal Alexandre Silveira, secretário-geral dos diretórios mineiro e municipal de Belo Horizonte do partido.

Leia também: De olho em 2014, Aécio faz peregrinação por Estados

Negociações: PSDB e DEM negociam aliança na corrida à Prefeitura em 15 capitais

Já Simão, que preside comissão interventora, garantiu nesta sexta-feira que a partir de hoje, com o início oficial da corrida eleitoral, o partido fará campanha para o petista Patrus, apesar do descontentamento de parcela do PSD de Belo Horizonte, que desejava manter-se na chapa de Lacerda. "Houve uma intervenção nacional, a constituição de uma comissão interventora e a adesão do partido à candidatura do ministro Patrus Ananias. A partir de hoje a gente vai começar a campanha pela candidatura de Patrus", disse Simão ao iG .

A solicitação da intervenção nacional em Belo Horizonte ocorreu, porque o diretório municipal homologou na Justiça apoio à candidatura de Lacerda, indo de encontro com a orientação do partido, que decidiu aderir à candidatura petista após o rompimento entre PT e PSB na capital mineira. "Esse movimento que surgiu forçou uma barra que não existia. Lá atrás foi feito o registro para a chapa do Marcio Lacerda, mas essa chapa não existe mais", afirmou.

Denise Motta/iG
Aécio, que apoia Lacerda, critica intervenção em BH

Segundo o presidente estadual do PSD, a decisão sobre o futuro do PSD em Belo Horizonte agora caberá à Justiça Eleitoral.

Até a semana passada, a eleição de Belo Horizonte prometia tranquilidade, com uma aliança entre PT, PSB e PSDB em torno da candidatura à reeleição de Lacerda. No momento, há uma divisão entre os mineiros que são do grupo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e os que são contra ele. Em Minas, o PSD é ligado a Aécio e ocupa cargos inclusive de primeiro escalão no governo do tucano Antonio Anastasia.

Para os dirigentes do PSD de Belo Horizonte, a decisão da direção nacional da legenda foi uma manobra orquestrada, com apoio da presidenta Dilma Rousseff , para o partido fazer um "gesto ao governo federal" e pelo ex-governador José Serra , adversário de Aécio dentro do PSDB e candidato à Prefeitura paulistana com apoio do partido de Kassab.

Ontem, Aécio não poupou críticas ao PT e disse que o partido queria transformar o prefeito em “refém” ao propor a chapa de vereadores. “O que o PT queria, na verdade, era eleger sua chapa de vereadores às custas dos votos do PSDB. Para fragilizar o prefeito, fazer do prefeito refém da força do PT. Isso não era ruim para o PSDB, isso era ruim para o prefeito”.

Eleito em 2008 sob a benção de seu antecessor, o petista Fernando Pimentel, e do então governador de Minas, o tucano Aécio Neves, Lacerda tenta permanecer mais quatro anos no cargo. O vice de Lacerda é o deputado estadual Délio Malheiros, do PV, ex-crítico do próprio prefeito O verde chegou a ser pré-candidato da sua legenda. O fiador dessa união foi Aécio. Antes da separação do PT com o PSB, o vice era Miguel Corrêa Júnior (PT).

Com Agência Estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG