'Fator Aécio' traz reviravolta em Belo Horizonte e joga 2014 na disputa

Caso emblemático é o do PSD, de Kassab, que está na coligação de Lacerda e também na do PT; membros do partido atribuem 'pitaco' a Dilma e Serra e caso deve ir à Justiça

iG São Paulo | - Atualizada às

O rompimento da aliança mineira entre o PT e o PSB, que ajudou a eleger o prefeito de Belo Horizonte, o socialista Márcio Lacerda – apoiado pelo PSDB –, é a reviravolta que deve tumultuar as eleições na capital mineira e jogar a disputa para o plano federal. O que era para ser uma eleição com uma aliança formal entre PSB, PT e PSDB virou uma divisão entre os que são do grupo do senador Aécio Neves (PSDB) e o que estão contra ele. Sobrou até crítica para a presidenta Dilma Rousseff .

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O caso emblemático é o do PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab . Orientado pela direção nacional a apoiar o candidato petista Patrus Ananias, a sigla local contrariou a ordem, avisou que vai apoiar Lacerda e entrou na coligação do socialista . No entanto, o cabo de guerra só piorou porque o partido consta nos pedidos de registro de candidatura do prefeito da capital, o socialista Marcio Lacerda, e do petista Patrus Ananias.

Em Minas, o PSD é ligado ao senador Aécio e ocupa cargos inclusive de primeiro escalão no governo do tucano Antonio Anastasia. O presidente da direção estadual do partido, Paulo Simão, afirmou ao iG  que caberá à Justiça eleitoral decidir sobre a chapa que o PSD integrará na capital mineira. Isso porque a orientação da Executiva Nacional do partido de Kassab é para fazer a campanha de Patrus .

Marcelo Prates/Hoje em Dia/AE
O senador Aécio Neves (à dir.), ao lado do governador Antonio Anastasia: reviravolta na eleição em Belo Horizonte

Para os dirigentes do PSD de Belo Horizonte, a decisão da direção nacional da legenda foi uma manobra orquestrada, com apoio de Dilma , para o partido fazer um "gesto ao governo federal" e pelo ex-governador José Serra , adversário de Aécio dentro do PSDB e candidato à Prefeitura paulistana com apoio do partido de Kassab.

"Rechaçamos veementemente qualquer interferência de outros Estados nas decisões de Minas", afirmou o secretário de Estado Extraordinário de Gestão Metropolitana, o deputado federal Alexandre Silveira, secretário-geral dos diretórios mineiro e municipal de Belo Horizonte do partido. O presidente da legenda em Minas, Paulo Simão Safady, no entanto, afirmou que "com absoluta certeza" haveria intervenção contra o que considerou "insubordinação".

Apesar do rompimento com o PT, a aliança de Lacerda reuniu 18 partidos . Em reunião do PSDB em Minas Gerais, no dia do registro da candidatura do socialista, Aécio não poupou críticas ao PT e disse que o partido queria transformar o prefeito em “refém” ao propor a chapa de vereadores. “O que o PT queria, na verdade, era eleger sua chapa de vereadores às custas dos votos do PSDB. Para fragilizar o prefeito, fazer do prefeito refém da força do PT. Isso não era ruim para o PSDB, isso era ruim para o prefeito”. 

Eleito em 2008 sob a benção de seu antecessor, o petista Fernando Pimentel, e do então governador de Minas, o tucano Aécio Neves, Lacerda tenta permanecer mais quatro anos no cargo. O vice de Lacerda é o deputado estadual Délio Malheiros, do PV, ex-crítico do próprio prefeito O verde chegou a ser pré-candidato da sua legenda. O fiador dessa união foi o senador Aécio Neves (PSDB). Antes da separação do PT com o PSB, o vice era Miguel Corrêa Júnior (PT).

O adversário mais perigoso para Lacerda é o petista Patrus Ananias , que governou Belo Horizonte de 1993 a 1997 e foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Antes de Patrus, o concorrente do partido era o atual vice do município – afastado de Lacerda –, Roberto Carvalho . Havia um impasse, já que Patrus foi indicado pela Executiva Nacional do PT, e Carvalho foi escolhido pelo diretório municipal. Ele chegou a formalizar a sua candidatura à Justiça Eleitoral, porém a retirou para não atrapalhar a unidade partidária no Estado.

O peemedebista Aloísio Vasconcellos será o vice na chapa com Patrus, em apoio costurado pela executiva nacional do PMDB. Antes de Vasconcellos, o PT tentou o nome do deputado federal Leonardo Quintão (PMDB).

A dissolução da aliança PT-PSB ocorreu porque a executiva municipal do PSB decidiu lançar chapa própria para eleição de vereadores. Lacerda, segundo a versão petista, passou por cima de um acordo escrito pelas legendas, no qual estava previsto coligação proporcional em Belo Horizonte.

Carvalho afirmou acreditar em pressão do PSDB para que o PSB não fechasse a coligação com o PT. Houve rumores de que Aécio exigiu que Lacerda não seguisse a aliança proporcional com os petistas. O senador tucano informou que as articulações cabem apenas às direções municipal e estadual do PSDB.

Com João Paulo Gondim, iG Bahia, e Agência Estado

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