Após crise pelo vice, Serra cobra união: 'Quem amola aliados está sabotando'

'Político disputa até rolo de barbante usado', diz candidato do PSDB no primeiro dia oficial de campanha; o vice, Alexandre Schneider, disse que não vai 'bater boca' com petista Haddad

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

No primeiro dia de campanha oficial liberada nas ruas , o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra , convocou seu partido e as legendas que integram a coligação a aparar arestas causadas por disputas internas e se unir. Em meio ao descontentamento de parte de parte do Diretório Municipal dos tucanos, que queria ter indicado o vice na chapa do ex-governador, e também do PV, que divulgou nota no início da semana criticando o processo de escolha do ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), para o posto, Serra cobrou fidelidade dos aliados.

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“Temos que fazer a campanha unidos. Todo mundo sabe que político disputa até rolo de barbante usado. É normal. Mas, na hora da eleição, temos que estar todo unidos e saber quem é aliado e quem é adversário”, cobrou o tucano em discurso para militantes no Edifício Joelma, no centro da cidade, sede do Diretório Municipal do PSDB. “Quem amola aliados está sabotando. Quem enfrenta adversários está procurando ganhar a eleição.”

Haroldo Junior/Futura Press/AE
Após lançamento oficial da campanha, Serra tomou café em uma padaria e fez corpo a corpo com militantes

Apesar de não citar a quem endereçava o discurso, Serra pode ter dado um recado indireto a lideranças do PSDB em São Paulo que não esconderam a insatisfação com a escolha de Schneider, do PSD do prefeito Gilberto Kassab , para a vaga de vice na chapa. Entre os descontentes, está o secretário estadual de Energia, José Aníbal, derrotado por Serra nas prévias do partido que definiram o candidato da legenda à Prefeitura. Na convenção que oficializou o nome do ex-governador, no dia 24 de junho, Aníbal criticou a aliança com o PSD, a quem qualificou de “força política que teve uma ação predatória” contra o PSDB, e também o chamado “chapão” de candidatos a vereador, a coligação proporcional com a legenda do atual prefeito. Ele não compareceu ao evento desta sexta-feira (6).

Já o PV, um dos partidos que fazem parte da coligação de Serra, divulgou uma nota no início da semana em que dizia que a escolha de Schneider “foi feita a portas fechadas e desconsiderando o que havia sido pactuado ao longo de todo o processo” . Após uma reunião com lideranças da legenda na capital paulista, o partido decidiu continuar apoiando o candidato tucano, mas cobrou que a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente permaneça comandada pelos verdes em uma eventual gestão Serra . O ex-responsável pela pasta, Eduardo Jorge, era o nome sonhado pelo PV para a vice do ex-governador. No evento desta sexta, o presidente municipal do partido, Carlos Camacho, esteve presente e foi saudado pelo próprio Serra.

Tucanos negam mal-estar

Preterido por Serra na escolha para a vaga de vice na chapa tucana, o ex-secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, confirmou que deve mesmo disputar uma vaga na Câmara e garantiu que não se sentiu desprestigiado com a opção do tucano por Schneider. “A possibilidade [de uma chapa puro-sangue] era muito pequena. Você está falando de uma coligação que conta com vários partidos”, minimizou. Questionado se ajudaria na campanha do ex-governador, Matarazzo lembrou que a prioridade agora passa a ser sua própria campanha a vereador. “Se eu for candidato, e devo ser, tenho que cuidar da minha campanha. Mas onde eu estiver, pode ter certeza de que vou ajudar o candidato.”

O coordenador de mobilização da campanha de Serra, Walter Feldman (PSDB), adotou um discurso conciliador e disse que o mal-estar em torno da indicação de Schneider já está superado entre os tucanos. “Houve uma pequena dificuldade quando houve a escolha do vice porque houve alguns grupos que queriam ser contemplados, mas já foi superado”, disse ao iG . Mesmo discurso foi adotado pelo líder tucano na Câmara Municipal, vereador Floriano Pesaro. “Isso está resolvido. As pessoas querem vencer, ter perspectiva de poder. Querem olhar para frente, não para trás. É isso o que move as pessoas.”

Um dos representantes do PSD de Kassab no encontro, o vereador Marco Aurélio Cunha destacou a força do partido. “Eu entendo o PSDB tentar defender o território deles, mas o nosso território é tão qualificado e legítimo quanto o deles”, disse. “O que eu vi foi uma tentativa de ter mais espaço, legítima, por parte do PSDB. Mas nossa aliança é fundamental para o Serra. E aí tem de haver um equilíbrio.”

Haroldo Junior/Futura Press/AE
O vice de Serra, Alexandre Schneider (PSD), voltou a responder às críticas do candidato do PT, Fernando Haddad

Schneider x Haddad

Em seu discurso, Serra disse que fará uma campanha “limpa”, mas que não espera o mesmo comportamento de todos os concorrentes. “Talvez nem todos os adversários tenham essa disposição. Nossos debates devem ter como centro a verdade e o futuro de nossa cidade”, disse o tucano, sem citar nomes. Mais uma vez, coube ao vice Alexandre Schneider responder indiretamente ao ex-ministro da Educação Fernando Haddad , candidato do PT, que na semana passada disse que São Paulo não foi contemplada pelo programa federal Pró-Infância, do Ministério da Educação (MEC), porque não solicitou os recursos.

“Não estou aqui para ficar batendo boca. A campanha não é para saber quem vai ser o secretário de Educação, mas o prefeito de São Paulo. Estamos preocupados em discutir a cidade”, afirmou. “São Paulo foi governada por alguns grupos: Maluf e Pitta, depois o grupo do PT com Marta e Erundina, e em seguida Serra e Kassab. Está na hora de comparar.”

Pesaro e Feldman também falaram sobre os ataques dos adversários de Serra, que, segundo eles, devem aumentar daqui por diante. “Eles precisam disso para vencer. Mas estou convencido de que a campanha em São Paulo precisa ser um modelo para o Brasil. Esperamos que seja uma campanha de alto nível”, disse Feldman. “Isso é esperado. É natural que os candidatos mirem no pole position. O Serra tem o melhor carro e o melhor motor”, brincou Pesaro.

No evento desta sexta-feira, além das principais lideranças tucanas em São Paulo, compareceram o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e membros de outros partidos aliados, como o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia (DEM), que também chegou a ser cotado para ser vice. Outra atração foi a participação do vereador e cantor Agnaldo Timóteo (PR), que ciceroneou Serra desde a chegada do ex-governador, por volta das 12h45, e até deu uma “palhinha”, cantando a música “Vai Dar Tudo Certo”. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab não compareceram.

Após discursar para a militância, Serra fez corpo a corpo com eleitores em uma padaria em frente à Câmara Municipal, a cerca de 10 minutos do Edifício Joelma. O candidato foi embora sem falar com os jornalistas.

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