Para relator, Demóstenes exerce ‘direito de defesa’ na tribuna

Senador Pedro Taques (PDT-MT) afirma não querer fazer ‘juízo de valor’ sobre discursode colega no plenário, após quase quatro meses de silêncio

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Relator do processo de cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO), o senador Pedro Taques (PDT-MT) disse esta segunda-feira que o colega exerceu seu “direito à defesa” ao quebrar o silêncio, após quase quatro meses, e voltar a discursar na tribuna do Senado . “(Avalio) como exercício do direito constitucional à defesa o que ele fez”, diz Taques ao iG .

Indicado na semana passada para relatar o  processo contra Demóstenes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, Taques entregou seu parecer na última quinta-feira. O senador goiano é alvo de investigação da Polícia Federal e está na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que analisa relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresas.

Embora o teor do relatório não tenha sido divulgado, o pedetista já sinalizou que seu voto será pela perda dos direitos políticos de Demóstenes. Após o discurso, contudo, Taques evitou críticas ao colega. “Não quero fazer juiz de valor sobre isso”, afirma. A votação da cassação de Demóstenes no plenário está marcada para 11 de julho.

Poder Online: Demóstenes fala para tentar conquistar votos a seu favor no plenário

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O último discurso do senador goiano em plenário aconteceu em 6 de março. Na ocasião, ele usou o tempo na tribuna para se defender de interceptação telefônica da Polícia Federal que aponta suposta negociação, entre ele e Cachoeira, envolvendo a tramitação de um projeto no Senado relacionado ao jogo do bicho.

Depois disso, Demóstenes passou a faltar a sessões no Senado, conforme se acumulavam denúncias contra ele. Era visto eventualmente no plenário apenas para registrar presença, e continuou sem dar entrevistas. Voltou a falar publicamente em 29 de maio, quando apresentou sua defesa no Conselho de Ética da Casa. O conselho aprovou a cassação Demóstenes na última terça.

Seu retorno à tribuna se deve à mudança na estratégia para tentar conquistar votos dos colegas a seu favor. Em discurso para um plenário vazio, Demóstenes perdeu perdão e citou nominalmente 44 parlamentares. "Virei à tribuna todos os dias para me defender das acusações feitas. Farei com o plenário cheio ou plenário vazio", disse.

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