Voo solo do PMDB em Salvador enfrenta aliança ampla do PT

Ex-prefeito, Kertész defende se candidatar sozinho e diz que muitos apoios viram 'penduricalhos' para acomodar no governo depois de eleito

João Paulo Gondim - iG Bahia |

Diferentemente do PT, que costurou uma ampla aliança de 14 partidos em torno da candidatura de Nelson Pelegrino em Salvador, o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, decidiu alçar voo solo com o ex-prefeito e radialista Mário Kertész. Esta semana, em visita à capital baiana para evento de seu candidato, Temer afirmou vencer em Salvador é uma das prioridades do PMDB, ao lado de São Paulo e Rio de Janeiro .

No entanto, a estratégia de Kertész vai na contramão da de seus principais oponentes, Pelegrino e ACM Neto (DEM), que conversaram com potenciais aliados até a última hora para o fim do prazo das convenções, que terminaram no sábado (30).

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Para Kertész, as coligações numerosas têm um efeito colateral: as siglas integrantes são "penduricalhos" e quem for eleito terá que "retalhar a prefeitura" para acomodar todos os partidos aliados em órgãos e secretarias.

De acordo com ele, a musculatura da sua agremiação possibilita a entrada na corrida com apenas as suas próprias pernas. Com aproximadamente cinco minutos de propaganda no horário eleitoral, o partido, diz o peemedebista, prescinde de outros para ampliar esse tempo de rádio e TV. São 64 candidatos a vereador.

"Eu acho engraçado quando as pessoas perguntam: 'o PMDB vai só?. Só?! O PMDB com a força que tem, com a história que tem, com a estrutura que tem, com a participação efetiva no governo federal, nunca estará só. E eu espero também, sobretudo, que o PMDB esteja com a população de Salvador", diz Kertész.

A intenção de marchar desacompanhado não se deu por acaso. "Essa chapa puro-sangue [Kertész e o vice, Nestor Neto, presidente da juventude do PMDB] não existe por questões pragmáticas ou puristas do partido", explica o cientista político Fábio Dantas Neto. "Mas, sim, porque não se conseguiu juntar a oposição [ao prefeito João Henrique Carneiro]", afirma.

Divulgação
Mário Kertész é o candidato do PMDB à Prefeitura de Salvador e defende a 'coligação do eu sozinho'

Kertész sempre diz que sua candidatura, uma espécie de "bloco do eu sozinho" político, surgiu a partir da malograda intenção de juntar DEM e PSDB. Deixando o PMDB de fora, demistas e tucanos se uniram para evitar o cisma que ocorreu em 2008. Seus candidatos na época, ACM Neto e Antônio Imbassahy, dividiram os votos e ficaram de fora do segundo turno. Além disso, um acordo costurado em São Paulo entre as nacionais das duas legendas optou pelo DEM na majoritária como forma de preservar o partido em Salvador, a capital em que os caciques do ex-PFL (hoje DEM) têm chances mais concretas de vitória.

Com isso, foi retirada a pré-candidatura tucana, a do ex-prefeito Antônio Imbassahy (1997-2004), em quem Kertész votaria. Na visão do peemedebista, nenhum candidato atual poderia tirar Salvador do "estado lamentável em que se encontra". Para ele, ambos não seriam o "gestor" da cidade, pois iriam priorizar interesses políticos e partidários, se eleitos.

Candidato do “eu sozinho”

Desse modo, Kertész atendeu ao chamado do PMDB, desde que fosse a seu modo: sem buscar apoio a qualquer custo. Prefeito em dois períodos (1979-1981 e 1986-1989), sempre declara ser esta a sua última eleição. As lideranças da legenda corroboram tal discurso. "Não precisamos de sopa de letrinhas", afirmou Geddel Vieira Lima.

Em 2010, ele disputou o governo do Estado em uma aliança com 12 partidos. O presidente estadual do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima – irmão de Geddel –, disse que não vê incoerência do seu partido, há dois anos, ter capitaneado aliança tão ampla. Segundo ele, na época, as legendas se uniram, pois tinham um plano comum de governo.

Sobre Eduardo Paes, companheiro de partido que busca a reeleição no Rio de Janeiro com 18 agremiações em seu palanque, diz que cada caso é um caso. Para Kertész, não é utopia vencer a eleição sem coligação. Ele gostaria de ver mais situações assim Brasil afora. De todo modo, diz que não vai recusar apoio caso vá a segundo turmo se for "em torno de um projeto de gestão de cidade", sem distribuição de cargos.

Presidente do diretório municipal do PT, a vereadora Marta Rodrigues discorda da posição de Kertséz de que uma coligação inchada resulta em repartição da máquina municipal. "Não ocorre loteamento de cargos. Há um pensamento em um projeto [dos partidos componentes da chapa]. Depois da eleição, buscamos a composição para governarmos", disse Marta na véspera da convenção petista.

Os partidos da chapa de Pelegrino são PT, PC do B, PSD, PSC, PR, PSB, PTB, PP, PRP, PT do B, PTC, PMN, PSDC e PPL.

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