Após crises envolvendo Marta, Erundina e Maluf, PT faz festa para Haddad decolar

Convenção do partido oficializa ex-ministro da Educação, que ainda patina nas pesquisas; aposta de Lula é que, como em 2010, ‘novidade’ vença o velho rival Serra

iG São Paulo |

A campanha aberta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para emplacar o ex-ministro da Educação  Fernando Haddad  como candidato do PT à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano será finalmente oficializada neste sábado (30) na convenção do partido realizada na capital paulista. Apostando mais uma vez em um debutante em disputas majoritárias para derrotar o ex-governador José Serra (PSDB), assim como aconteceu nas eleições presidenciais de 2010 com Dilma Rousseff , o PT promete uma grande festa com a militância e espera que seja dado o pontapé inicial para que Haddad deslanche nas pesquisas e também para superar as crises internas enfrentadas nos últimos meses.

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O tom da convenção do PT deve ser de fortes críticas à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD) – com quem o partido chegou a flertar no início da pré-campanha, antes da entrada de Serra na disputa – e de polarização com Serra e os tucanos, adversários diretos dos petistas nas principais disputas eleitorais dos últimos 20 anos. Além disso, a legenda tentará mostrar união e continuará associando a imagem de Haddad à de Lula.

Com 6% das intenções de voto de acordo com o último levantamento do Datafolha divulgado na quarta-feira (27) , empatado com Gabriel Chalita (PMDB), Soninha Francine (PPS) e Netinho de Paula (PCdoB) – que já desistiu da candidatura para apoiá-lo –, Haddad ainda vê Serra, com 31%, bem distante, e também está atrás de Celso Russomano, do PRB, que aparece com 24% na sondagem.

AE
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Além do PT e do PCdoB, a aliança que dá apoio à candidatura do ex-ministro da Educação conta com a adesão do PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e do PP do ex-prefeito Paulo Maluf. Foram justamente essas duas legendas que protagonizaram a maior crise da candidatura de Haddad até o momento. No dia 15 de junho, a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina (PSB) foi lançada como candidata a vice na chapa do petista em um ato que empolgou a militância, mas desistiu t rês dias depois. No dia 18, o jardim da residência de Maluf foi palco do encontro entre Haddad, Lula e o ex-prefeito para selar a entrada do PP na coligação. No dia seguinte, Erundina comunicou que abandonava o posto de vice em represália à aliança com seu histórico antagonista político .

Apesar da permanência do PSB na aliança com Haddad, o partido abriu mão de indicar outro nome que não fosse Erundina para a vaga. Coube então ao PCdoB, aliado histórico do petismo e também integrante da base de apoio ao governo federal, abdicar da candidatura própria de Netinho e confirmar o apoio a Haddad. A nova vice do ex-ministro é Nádia Campeão, presidente estadual do PCdoB-SP e ex-secretária municipal de Esportes na gestão da petista Marta Suplicy . A convenção dos comunistas que vai lançar a chapa de candidatos a vereador pelo partido também acontece neste sábado (30). Netinho será candidato à reeleição na Câmara Municipal, assim como Jamil Murad. O ex-ministro do Esporte Orlando Silva é outra aposta da legenda como “puxador de votos” em São Paulo. A convenção do PSB também está marcada para este sábado.

Outro fator de desestabilização da candidatura de Haddad é justamente Marta, que teve de abrir mão de sua pré-candidatura para não desafiar a força do ex-presidente Lula. A aposta do PT na “novidade” barrou as pretensões da ex-prefeita, que venceu a eleição de 2000 contra Maluf, mas foi derrotada em 2004 (por Serra) e 2008 (pelo atual prefeito Gilberto Kassab). Na última sexta-feira (29), Marta deu o recado de que não vai participar da campanha de Haddad . “Vou me dedicar oito anos ao meu trabalho no Senado e à reeleição da presidenta Dilma. Esta vai ser a minha postura e o meu empenho nesses oito anos”, afirmou a senadora petista.

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