Apesar de habeas corpus, ex-assessor de Agnelo deve falar na CPI

Cláudio Monteiro é investigado pela polícia como possível facilitador do esquema de Cachoeira no Distrito Federal. Outros dois depoentes podem ficar calados

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Apesar de ter obtido na Justiça o direito de ficar em silêncio, Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT), sinalizou que deve falar na sessão desta quinta-feira da Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) do Cachoeira . Há ainda outros dois depoentes ligados a Agnelo previstos para hoje, mas a expectativa é que ambos se recusem a falar.

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O habeas corpus foi concedido liminarmente a Monteiro, na última sexta-feira, pelo ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF). O iG apurou, contudo, que advogados do ex-assessor de Agnelo estiveram na comissão ontem, quando confirmaram a disposição de seu cliente para falar aos parlamentares.

Monteiro é citado em interceptações telefônicas da Polícia Federal como possível facilitador do esquema de Cachoeira no governo do Distrito Federal. Em depoimento à CPI, em meados deste mês, Agnelo defendeu o ex-assessor e disse não ter conhecimento sobre ligações de Monteiro com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“Se ele vier a falar, apesar do habeas corpus, poderá ajudar a esclarecer de vez o tema de Brasília”, afirma o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Monteiro era o funcionário mais graduado do governo Agnelo. Até agora nada relacionado ao Distrito Federal se concretizou”.

Além de Monteiro, estão previstos para esta quinta-feira os depoimentos de Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão, ex-assessor da Casa Militar da capital, e João Carlos Feitoza, o Zunga, ex-subsecretário de Esportes de Agnelo. Ambos entraram com pedido de habeas corpus no STF para permanecer em silêncio na CPI.

Até o fechamento desta reportagem, os ministros Marco Aurélio Mello e Carmem Lúcia, responsáveis respectivamente pela análise dos pedidos de Zunga e Marcelão, não haviam concedido liminares autorizando o silêncio dos depoentes. Marcelão é suspeito de dar aval para que o grupo de Cachoeira explorasse linhas de ônibus em Brasília antes de a licitação ficar pronta.

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Também é investigado por interceptar ilegalmente e-mails de adversários do govenador petista entre 2011 e 2012, quando teria tratado do assunto em conversas com o sargento Idalberto Matias, o Dadá, suposto araponga de Cachoeira. Já Zunga é suspeito de receber dinheiro do esquema do bicheiro e de ser uma espécie de intermediário entre o governador e Cachoeira.

A oposição, no entanto, afirma depositar pouca esperança nos depoimentos desta quinta. Questionado sobre sua expectativa para a sessão, o deputado Cláudio Sampaio (PSDB-SP) cravou: “É zero”. Segundo ele, a estratégia é pressionar o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a transformar em administrativa a sessão de oitivas.

A manobra anteciparia a votação de requerimentos de convocação, prevista apenas para o dia 5 de julho. “Mediante pressão tudo é possível. O braço financeiro da organização criminosa se chama Delta. Queremos convocar o empresário Fernando Cavendish”, completa o tucano, se referindo ao dono da empreiteira Delta, suspeita de envolvimento no esquema de Cachoeira.

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