Ex-malufista, Russomanno quer provar que não é só fenômeno midiático

Terceiro candidato mais votado nas eleições para o governo do Estado, em 2010, ainda pelo PP, ele reconhece que terá dificuldades por tempo pequeno na propaganda na TV e no rádio

Fábio Matos - iG São Paulo | - Atualizada às

Desde setembro do ano passado no PRB, após romper com o ex-prefeito Paulo Maluf em seu ex-partido, Celso Russomanno, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, já teve passagens pelo antigo PFL (1985-1994), pelo PSDB (1994-1997), pelo extinto PPB (1997-2003) e pelo PP (2003-2011). Ele chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto antes de o ex-governador José Serra (PSDB) entrar na disputa e apareceu em 2º lugar no último levantamento do Ibope, com 16%, à frente de nomes como Netinho de Paula (PCdoB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulo Pereira da Silva (PDT), e atrás somente do tucano. Já na pesquisa do Datafolha divulgada no último fim de semana, Russomanno tem 21% das intenções de voto (dois pontos percentuais a mais que no último levantamento, em março), também na 2ª colocação.  

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“Isso é trabalho. A gente não pode esquecer que eu mantenho, do próprio bolso, o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (fundado em 1995), que atende às pessoas de graça. O meu trabalho nesse sentido já tem 22 anos. Acho que essa é a razão da manutenção desse índice de intenção de voto”, diz Russomanno, que minimiza a influência da TV ao comentar o bom índice nas pesquisas. “Não sei, isso é uma coisa muito relativa. Você tem que levar em consideração as votações que eu tive, que são expressivas (em 2006, foi eleito deputado federal com 573.524 votos, e em 2010, ficou em terceiro lugar na eleição para o governo do Estado, com 1.233.897 votos, atrás do tucano Geraldo Alckmin e do petista Aloizio Mercadante). Estou competindo com um ex-prefeito, ex-governador, ex-senador, ex-ministro, candidato a presidente duas vezes... É outra coisa. O nível de participação dele é muito grande em termos de recall. E, mesmo assim, estou muito perto dele.”

Renato S.Cerqueira/Futura Press
Celso Russomanno (1º da dir. para a esq.), em ato que selou o apoio de PHS e PRP à sua pré-candidatura: tempo reduzido na TV e no rádio é maior dificuldade na campanha

Por outro lado, o cientista político Rogério Schmitt, da consultoria Eyes on Future, atribui o resultado de Russomanno à exposição na TV ao longo das últimas décadas e não acredita que ele mantenha o patamar. “Neste momento, as pesquisas estão medindo o chamado ‘recall’, o grau de conhecimento que as pessoas têm sobre os candidatos. É mais isso do que intenção de voto consolidada. A eleição ainda está muito distante para a imensa maioria dos eleitores. O Celso Russomanno é uma pessoa muito conhecida, está na TV há 20 anos, foi deputado, candidato ao governo do Estado... Ele é muito mais conhecido do que alguns outros candidatos”, diz. “Além dele estar no ar em uma emissora de grande audiência, está na mídia há duas décadas. Eu lembro, no SBT, do ‘Aqui Agora’, e aquele bordão que ele criou: ‘Estando bem para as ambas as partes, Celso Russomanno, Aqui Agora'”, de defesa do consumidor. Quando a campanha começar para valer, o Celso vai ter um tempo de TV muito pequeno em relação a outros candidatos. Essa é mais uma razão que me faz crer que ele não sustenta esse patamar.”

Russomanno estrela o quadro “Patrulha do Consumidor” no programa "Balanço Geral SP", atração popular exibida pela TV Record. Ele também comanda o programa “Jogo de Poder” e é colaborador do “Notícias & Mais”, na CNT, além de apresentar o “Programa Celso Russomanno” e fazer participações especiais no “A Tarde É Show”, da Rede Brasil. O PRB, legenda oriunda do antigo PL e criada em 2005 pelo ex-vice-presidente José Alencar, é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo, que hoje é dono da Record. O presidente nacional do partido, Marcos Pereira, é membro da IURD e trabalhou na Record entre 1994 e 2010, tendo ocupado o cargo de vice-presidente executivo da emissora por sete anos. Tanto o pré-candidato quanto a direção de seu partido e a própria Record negam qualquer favorecimento a Russomanno por suas relações com a emissora

Pereira admite que as aparições na TV ajudam o pré-candidato de seu partido, mas não acredita que são a única razão para o bom índice nas pesquisas. “Acho que ajuda, sem dúvida. O próprio Netinho é um exemplo disso. O PCdoB não deve manter a candidatura, mas ele aparece hoje em 3º lugar. Isso se deve também à exposição na TV. Quem tem intimidade com as câmeras, sempre tem uma facilidade, isso é natural”, aponta. “Mas é importante lembrar que o Celso foi candidato a governador e ficou à frente do Paulo Skaf (na época, no PSB) e só atrás do (Geraldo) Alckmin e do (Aloizio) Mercadante. Foi muito bem votado também para deputado.”

Além de Russomanno, Netinho também comanda uma atração na televisão aberta, o “Programa da Gente”, aos sábados, na RedeTV!. Outros nomes da corrida eleitoral paulistana também têm experiência no vídeo: Chalita deixou o “Papo Aberto”, da TV Canção Nova, ligada ao movimento católico Renovação Carismática, em novembro de 2011. Soninha foi VJ da MTV, apresentadora da TV Cultura e comentarista esportiva na ESPN Brasil.

“Não sei se todos eles têm uma imagem tão impregnada na cabeça das pessoas quanto o Russomano, que está há mais tempo na mídia do que todos eles”, pondera Schmitt. “E mesmo todos esses já estão à frente do Haddad, que é do PT, um partido muito maior, justamente por causa dessa exposição que já tiveram na mídia. De todos, o Russomanno é o que está na emissora de audiência maior, em um canal popular.”

Renato S.Cerqueira/Futura Press
Fenômeno eleitoral ou midiático? Para cientista político, Russomanno (foto) dificilmente conseguirá manter o patamar atual mostrado nas pesquisas de intenção de voto

Pouco tempo de TV na campanha

Pré-candidato de um partido pequeno e à frente de uma aliança que até aqui só conta com legendas nanicas (PHS, PRP, PTN e PTdoB, além do PRB), Russomanno sabe que terá pouco tempo de televisão na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. “Eu não tenho o peso da máquina do governo para fechar alianças. Nossas alianças são na base da palavra. Teremos muito menos tempo de TV, isso com certeza. Mas vamos com um discurso voltado para melhorar a cidade. Eu acho que São Paulo está carente de um governante que tenha pulso. As pessoas falam muito disso para mim. Elas me veem como um político de decisão, de atitude”, diz Russomanno.

Marcos Pereira reconhece as dificuldades pelo pouco espaço na TV depois que a campanha começar, mas acredita na força do convencimento e no carisma de Russomanno. “Nós vamos trabalhar fazendo pesquisas em todos os distritos da cidade. Onde a coisa não estiver muito bem, vamos colocar a militância para fazer o corpo a corpo. Vamos pôr o pé na estrada, gastando sola de sapato e tentar superar essa questão da possível falta de tempo de TV que a gente tem em relação ao Chalita, ao Haddad e ao Serra. E aproveitar ao máximo as entrevistas. O Celso é bom de vídeo, é bom de mídia, é bom de falar.”

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