'São fatos da história', diz Amorim a respeito de relato de Dilma sobre tortura

Ministro da Defesa se esquiva ao ser questionado sobre a divulgação do relato da presidenta sobre a violência a que foi submetida durante a ditadura militar

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O ministro da Defesa, Celso Amorim, não quis comentar nesta segunda-feira a divulgação do relato que a presidenta Dilma Rousseff fez ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais, em 2001, sobre as torturas que ela sofreu quando esteve presa em Juiz de Fora , em 1972.Em visita ao espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana, zona sul do Rio, Amorim limitou-se a afirmar que caberia a cada cidadão formar sua opinião sobre o assunto.

Leia mais: Comissão da Verdade vai solicitar depoimento de Dilma sobre tortura

"Ah, gente, eu não vou comentar isso. Se ela própria não comentou, como é que eu iria comentar?", questionou, irritado, o ministro logo após de ser abordado por jornalistas. "Eu acho que são fatos da história, eles vão aparecendo. Cada cidadão forma a sua ideia sobre isso."

O envio dos documentos, localizados e publicados pelo jornal "O Estado de Minas" neste fim de semana, à Comissão da Verdade também não motivou Amorim a fazer comentários. "A Comissão da Verdade é para justamente restabelecer a verdade e permitir que as pessoas conheçam os fatos, sob todos os ângulos. É só o que eu tenho a falar sobre isso", disse o ministro.

A nomeação de Amorim para o Ministério da Defesa, em agosto do ano passado, logo após a demissão de Nelson Jobim, teria desagradado setores militares que ficaram contrariados com o que chamaram de "decisões ideologizadas" tomadas por ele quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores - entre 2003 e 2010. Desde que assumiu a pasta, Amorim tem se notabilizado por declarações cuidadosas que não criem atrito com as Forças Armadas.

Então militante do Comando de Libertação Nacional (Colina), grupo que aderiu à luta armada contra a ditadura militar, Dilma relatou uma série de torturas pelas quais foi submetida quando esteve presa na cidade mineira. Ela sofreu choques elétricos, passou pelo pau de arara, apanhou de palmatória e levou socos de agentes da ditadura.

As sequelas provocadas, como problemas ortodônticos, por exemplo, perduraram por anos. Em seu depoimento, Dilma diz que os interrogatórios a fizeram encarar a "morte e a solidão" e que a marcaram "pelo resto da vida".

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