Relator teme que caso Demóstenes fique para o segundo semestre

Após Supremo adiar votação no Conselho de Ética, análise do parecer de Humberto Costa sobre quebra de decoro parlamentar foi remarcada para dia 25

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Relator do processo contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa (PT-PE) teme que a votação de seu parecer fique apenas para o segundo semestre, devido ao curto período que o processo terá para tramitar na Casa até ao recesso parlamentar, que começa em 11 de julho. 

A análise de seu parecer, que estava prevista para hoje, foi remarcada para o dia 25. A mudança acontece após o ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder parcialmente uma liminar requerida pela defesa de Demóstenes, o que suspendeu a votação do processo no Conselho

Saiba mais: STF adia votação no Conselho de Ética que pode cassar Demóstenes

Agência Brasil
Humberto Costa é relator do caso Demóstenes no Conselho de Ética


iG explica: Entenda a crise envolvendo o senador Demóstenes Torres

O ministro determinou que a decisão final em relação ao processo de quebra de decoro seja realizada três dias após a divulgação do parecer do relator. A defesa de Demóstenes havia pedido dez dias. Na teoria, a votação poderia acontecer na sexta-feira. Mas as atividades no Congresso foram esvaziadas esta semana pela viagem de parlamentares à Rio+20 .

Costa explica que, após sua votação no Conselho de Ética, o texto vai para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde deve tramitar por pelo menos cinco sessões. Só depois o parecer segue para votação secreta em plenário. “Existe sim a preocupação de que só votemos isso no segundo semestre”, afirma o petista.

“À princípio ainda temos tempo. Mas se houver novas manobras protelatórias, não haverá possibilidade de votarmos o parecer antes do recesso”, ressalta. Nesta segunda-feira, o relator fará apenas a leitura da parte descritiva de seu voto, que inclui resultados de audiências, requerimentos e depoimentos colhidos pelo Conselho de Ética.

Veja o especial do iG sobre a CPI do Cachoeira

O petista evitou, contudo, criticar o ministro Toffoli, que foi indicado para o Supremo pelo ex-presidente Lula. “Não concordo (com a decisão dele). Acho que é equivocada, mas temos que respeitar e cumprir. Não vou emitir opinião sobre isso, porque não me cabe fazer conjecturas. Somos dois poderes independentes”, afirma Costa.

É esperado que o petista proponha, em seu relatório final, a cassação de Demóstenes. Ele é acusado de ter usado seu mandato e sua influência para agir em favor de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso desde fevereiro , por chefiar uma rede de jogos ilegais. Seu envolvimento com políticos e empresários motivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.

O parecer mostrará que o senador recebeu vantagens indevidas, entre as quais valores financeiros, uma cozinha importada e um telefone habilitado no exterior para conversar com integrantes do grupo sem risco de interceptação policial, além de ter mentido ao Congresso no depoimento que tentou explicar suas relações com o esquema.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG